A Casa Coral Celeiro Alvorada amplia os limites da Mostra de arquitetura ao transformar a cor em matéria construtiva e resgatar a brasilidade interiorana com notável apuro técnico.

Aprofundamento técnico sobre as estratégias projetuais e a fenomenologia da cor aplicadas no espaço expositivo.
O arquiteto Nildo José apresenta a Casa Coral Celeiro Alvorada na Mostra CCor. O projeto ocorre no Parque da Água Branca, em São Paulo, entre junho e agosto. A proposta celebra a brasilidade interiorana e o tombamento do local.
Conceito e paleta cromática
O termo celeiro inspira o espaço ao guardar aquilo que importa. A arquitetura atua como suporte para a permanência de lembranças e afetos. Nildo José afirma que o ambiente reflete identidade e pertencimento. Priscila Perez, da Coral, ressalta que as tonalidades constroem conexões e as texturas ganham protagonismo.
Galeria de entrada e revestimentos
O visitante depara-se com uma galeria em tom Azul Imponente na antessala. O mobiliário inclui mesa em quartzito Breccia Luna e banquetas com tecido Quaker. O efeito de pedras naturais no acabamento médio reveste paredes e teto pela primeira vez na mostra. O piso de tijolos e vigas de madeira tonalizada remete às construções rurais.

A biblioteca como elemento estruturante
O pé-direito duplo e as amplas esquadrias garantem luz natural e vista para o parque. Uma estante de grande porte com quatro mil exemplares organiza o programa do espaço. Os primeiros nichos abrigam fotografias e objetos afetivos antes dos volumes literários. A cozinha e a sala de jantar inserem-se sutilmente no vão central da marcenaria.
Escada escultórica e estar orgânico
A escada helicoidal na cor berinjela conecta o térreo ao mezanino como elemento escultórico. A sala de estar central reúne madeira, pedra e fibras artesanais em atmosfera orgânica. Um sofá desenhado pelo arquiteto divide espaço com poltronas de inspiração equestre. Obras de Portinari, Lorenzato e Barrão pontuam a decoração.

Lareira em travertino e recantos de contemplação
Uma chaise e luminária da Bertolucci configuram um canto de leitura intimista. A lareira em travertino bruto exibe detalhes do universo rural e memórias familiares. O móvel de apoio integrado segue o mesmo material e a vegetação de Jasmim Manga aproxima a natureza. A namoradeira posicionada diante das janelas convida à contemplação da paisagem.
Programa íntimo e ventilação natural
Uma parede curva conduz à área de descanso com painel na tonalidade Saibro. A cama e poltronas recebem obras de David Almeida e Lorenzato para transmitir calma. Uma cadeira da projetista Luisa Moyses compõe a área de trabalho adjacente. O banheiro favorece a ventilação natural e integra o verde exterior através da banheira junto à janela.
Curadoria de mobiliário e execução
A marcenaria da Evviva estrutura a biblioteca integrada à cozinha. O piso de tijolos da Lepri e as pedras da Granos Granito ampliam as referências rurais. O acervo de mobiliário inclui peças de Sergio Rodrigues, Lina Bo Bardi e Irmãos Campana. A seleção dialoga com a produção de Aldi Flosi e reforça a materialidade do ambiente.
● Organização Espacial e Programa
A biblioteca transcende a função de armazenamento para atuar como elemento estruturador do volume. A inserção da cozinha e do refeitório no vão central da marcenaria demonstra notável fluidez programática. Essa estratégia dissolve barreiras convencionais entre os ambientes de serviço e o estar, promovendo uma integração espacial que redefiniu a planta livre.
● Materialidade e Fenomenologia da Cor
O tratamento das superfícies revela apuro sensorial na composição dos planos. A extensão da tonalidade caramelo para o forro altera a percepção de escala e acentua a atmosfera do recinto. O contraste entre a rigidez do tijolo aparente e a tactileza do travertino bruto ancora a obra em uma materialidade orgânica, enquanto a escada helicoidal atua como articuladora vertical dos fluxos.
● Permeabilidade e Paisagismo Interior
A relação com o entorno é mediada por esquadrias generosas que estabelecem contínua permeabilidade visual e térmica. A incorporação da vegetação e a ventilação cruzada no setor íntimo reafirmam o compromisso bioclimático. A banheira posicionada junto ao vidro consolida essa fronteira difusa entre o edificado e a paisagem natural.
● Síntese Projetual
A obra evidencia como a espacialidade contemporânea pode abrigar a memória sem recorrer a historicismos. A articulação entre o desenho autoral e a volumetria existente resulta em grande coerência formal. O projeto consolida a cor não como mero revestimento, mas como matéria construtiva fundamental.
Especificação – Coral Tintas / Aldi Flosi / Atelier Carlos Motta / Basile Marcenaria / Bertolucci / Breton / Casa Mineira / Construflama / Deca / Donatelli / Dpot / Estúdio Carlos Fortes / Etel Design / Evolveer / Evviva Moema / Giovanna Polloni (GPO) / Granos / HTA Móveis / Jocal Estofados / JRJ Tecidos / Lepri Cerâmicas / Leticia Bononi Paisagismo / Light Design / Lumini / Madeira Bonita / Olho Interni / Piatã Norte / Quaker / R2 Decorações / Sandra Telles / Silvestre Vidros / Sólida Mármores / Taciela Gomes / Tella Engenharia / Trousseau / Vitrine.
Contato:
Nildo José Arquitetura
https://arqbrasil.com.br/26375/nildo-jose-arquitetura/

Contexto – Casa Coral Celeiro Alvorada, Nildo José, Parque da Água Branca, design de interiores, paleta cromática, marcenaria autoral, arquitetura residencial e Mostra CCor, ambientação com cores, pé-direito duplo, iluminação indireta, materiais naturais, mobiliário de design brasileiro, integração de ambientes, texturas artesanais e projeto afetivo, @nildojose_arquitetura, #ArquiteturaInterior, @tintascoral, Conteúdo à la carte, @conteudoalacarte, Fotografia Maura Mello, @mauramello.fotografia.
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