Uma intervenção artística em espaço público ressignificou uma área abandonada da Vila Madalena, revelando um pomar urbano e gerando um modelo de convivência sustentável

 

Intervenção artística em espaço público reativa praça-pomar

Projeto de Alê Jordão converte área negligenciada em praça-pomar com mobiliário reaproveitado, energia solar e gestão comunitária contínua.


Na esquina da rua Aspicuelta, no coração da Vila Madalena, um espaço antes negligenciado foi transformado em um ponto de encontro comunitário graças à intervenção artística de Alê Jordão.

O que outrora era considerado um não-lugar — área abandonada, tomada pelo mato e sem função social definida — hoje respira vida, frutos e convivência. A Pracinha da Aspicuelta, como é carinhosamente chamada pelos moradores, tornou-se um exemplo raro de arte pública capaz de ativar relações sociais e ecológicas sem impor formas ou hierarquias.

Do descarte ao encontro: mobiliário feito de guard-rail

Há dez anos, Alê Jordão iniciou sua intervenção com a instalação de três peças de mobiliário urbano produzidas a partir de guard-rails descartados. Esses elementos, originalmente concebidos para conter, separar e canalizar fluxos viários, foram reconfigurados em uma chaise longue, uma namoradeira e um banco de praça.

A escolha do material não foi casual. Ao reaproveitar resíduos da lógica rodoviária — símbolos da segregação e da velocidade urbana —, o artista subverteu sua função original, convertendo-os em objetos de permanência, descanso e sociabilidade. Esse gesto simples, porém profundamente político, inaugurou uso para o espaço.

Infraestrutura mínima, impacto máximo

Posteriormente, foi incorporada à praça uma pequena casa de passarinho em madeira, equipada com entradas USB para carregamento de dispositivos móveis. Alimentada por uma placa fotovoltaica, a estrutura oferece energia limpa e gratuita, funcionando como infraestrutura mínima que incentiva a permanência e o cuidado coletivo.

Essa adição, aparentemente técnica, revela-se também simbólica: a tecnologia sustentável se integra ao cotidiano sem dominar o ambiente, servindo como elo entre natureza, comunidade e inovação.

O pomar redescoberto

Com o tempo, a comunidade percebeu que a praça abrigava mais do que mobiliário e sombra. Um pomar urbano, plantado décadas antes por antigos moradores, emergiu como protagonista silencioso do lugar. Mangueiras, abacateiros, goiabeiras, jabuticabeiras, amoreiras, romãs, limoeiros e até dois pés de café compõem um ecossistema frutífero e diverso.

Trata-se de um arquivo vivo de gestos anônimos, cuja existência só foi valorizada após a ativação do espaço pela arte. A vegetação, antes ignorada, passou a ser cuidada, colhida e celebrada, integrando-se organicamente à rotina dos frequentadores.

Cuidado contínuo e autogestão comunitária

A consolidação do espaço como território de pertencimento deve-se, sobretudo, à apropriação espontânea pela vizinhança. Nos últimos anos, surgiram hortas comunitárias, o gramado foi mantido com zelo e até áreas periféricas receberam atenção constante.

A praça deixou de ser apenas uma instalação artística para se tornar um organismo vivo, sustentado pelo uso cotidiano e pela responsabilidade compartilhada. Esse fenômeno de manutenção contínua é raro em contextos urbanos, onde espaços públicos frequentemente sofrem com a ausência de vínculo comunitário.

Arte como mediação urbana

A trajetória de Alê Jordão, com mais de duas décadas dedicadas à transformação de materiais industriais — como neon, vidros blindados e estruturas metálicas — em obras que dialogam com a cultura urbana, encontra aqui uma de suas expressões mais maduras.

Sua abordagem não busca espetacularização, mas sim a reativação de potencialidades latentes. Ao devolver significado ao que já existia, o projeto reafirma a arte como ferramenta de mediação entre cidade, natureza e comunidade.

Um modelo replicável além das fronteiras

Segundo o curador Baixo Ribeiro, da galeria Choque Cultural, o modelo desenvolvido na Pracinha da Aspicuelta inspirou outras ações, inclusive internacionais. “Esse modelo de trabalho, em espaços públicos, o Alê Jordão levou depois para a Itália”, destaca.

A reinauguração recente do espaço marca não apenas a celebração de uma década de transformação, mas também um convite à reflexão: a cidade pode ser cultivada — com tempo, cuidado e imaginação coletiva.

 

Contato:
Choque Cultural
https://choquecultural.com.br/

 


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