Quando falamos de eventos, sempre existe a ideia de que cada projeto é único. Não está errado quem pensa assim, por isso é preciso considerar que tudo (ou quase tudo) relacionado a este mercado é dotado de diversas variáveis de complexidade, o que torna qualquer análise pela lupa do “lugar comum” algo simplista.

Arquiteto Daltro Mendonça, diretor de projetos na GTM Cenografia
Pensar em um projeto requer se colocar no lugar do outro: do cliente, do público alvo, de quem executa, de quem está ao nosso lado. E esse entendimento somado ao esforço e dedicação de todos os envolvidos é fundamental. É a base do DNA do que buscamos fazer. É o pilar das boas ideias, bons projetos, boas soluções, é aquela linha tênue que separa quem é bom daqueles que têm um brilho a mais.
A criatividade é, sem sombra de dúvidas, o ingrediente que endossa quem está na frente desse mercado. E é um fator que não se aplica somente em projeto, mas à equipe como um todo. Grandes ideias e soluções partem de todas as áreas da empresa. Basta dividir as intenções, juntar as bagagens adquiridas, saber ver e ouvir.
E, por falar em criatividade, fica ainda mais interessante quando avaliamos a cenografia de eventos sob a perspectiva da evolução dos processos, principalmente quanto à evolução das ferramentas que sempre acontecem com o passar do tempo e que ajudam no trabalho de todos. Porém, um engano recorrente é pensar que as tecnologias e recursos disponíveis para quem se aventura nessa área são substitutos definitivos do talento e da aptidão natural. Eu, particularmente, acredito que não substituem, porque se a pessoa não forma seu próprio repertório, ela não conseguirá aproveitar tais recursos em sua totalidade.
A tecnologia ajuda, mas não exclui a necessidade de pensar, planejar. Muitos criativos hoje geralmente usam somente as máquinas (pois lidamos com muita velocidade nas informações), mas penso que a combinação desses recursos às técnicas tradicionais, quando possível, possibilita tornar o processo de criação mais eficiente e encantador. O croqui, os volumes e as maquetes são somente o início do processo de pensar.
É importante sempre ter em mente que os profissionais ainda buscam representações físicas para complementar as virtuais. Mais do que ver para crer, é preciso tocar, não só para entender as formas, estruturas, mas também para democratizar o entendimento espacial do projeto para todos os envolvidos no processo.
Absorver tudo o que está ao redor, ter olhar crítico, sensibilidade apurada faz com que o profissional de cenografia incorpore suas experiências em cada projeto novo. E se esses profissionais têm o entendimento de que todos os que participam de um projeto têm a sua importância, eles vão se tornando mais completos. A conta é simples: ter boa formação é importante, ter vocação é fundamental, ter vontade de fazer é imprescindível e ter humildade é definitivo. Vejo cada projeto em grupo como uma aula. Somos professores e alunos o tempo todo, e ter a percepção de que é possível melhorar, deixando de lado as vaidades, é o primeiro passo para a evolução. Porque em cenografia ninguém faz nada sozinho – um projeto nunca tem um único dono.
A velocidade dos processos na realização de um evento, que sem dúvida é potencializada pelas tecnologias disponíveis, me encanta. É literalmente um universo à parte, ainda que diferente da arquitetura pela velocidade de realização, não deixa de buscar inspirações e referências em obras de grandes arquitetos. Esse dinamismo, que a muitos atordoa, nos dá uma boa liberdade para experimentar. Em suma, é o que me atrai. Seguir aprendendo a cada trabalho e compartilhar técnicas é uma troca vital, já que não há linha de chegada. Nunca estamos prontos, e só se mantém aqueles que entendem que vivemos uma evolução constante.
Contato:
GTM Cenografia
(11) 3024-4400
http://gtmcenografia.com.br/

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