Como um projeto de cobertura duplex em São Paulo redefine o conceito de morar ao unir flexibilidade espacial, soluções em marcenaria e uma materialidade que dialoga entre os pavimentos.

Entenda como a supressão estratégica de alvenarias e a marcenaria multifuncional redefiniram esta cobertura em São Paulo, criando um espaço que une funcionalidade, estética e memória afetiva em perfeita sintonia.
Intervenção precoce na etapa construtiva
O Apartamento Atypik, desenvolvido pelo escritório Conrado Ceravolo Arquitetos na capital paulista, acompanha uma nova fase da vida de um casal e suas duas filhas.
Por se tratar de clientes anteriores, os arquitetos foram acionados ainda durante a execução da obra da construtora.
Essa antecipação permitiu adaptar infraestruturas, alvenarias e instalações antes da entrega do edifício. Paredes do projeto original foram suprimidas para viabilizar uma planta mais integrada. As soluções adotadas tornaram-se referência para a própria construtora, que as replicou em uma unidade vizinha.

Distribuição funcional entre pavimentos
A cobertura foi organizada em dois níveis com programas complementares de uso.
O pavimento inferior concentra a rotina cotidiana, reunindo sala de estar, cozinha, escritório, área de serviço e três suítes.
Já o pavimento superior foi destinado ao convívio, lazer e recepção de visitas. Este nível abriga estar, jantar, cozinha de apoio, churrasqueira, academia, sauna e área externa com piscina. O acesso se dá por um hall social privativo, equipado com banco e sapateira.
Discrição e integração nos ambientes sociais
Logo na entrada, o lavabo foi incorporado de forma discreta por meio de uma porta camuflada na marcenaria. A sala de estar configura o principal espaço de convivência do nível inferior. O escritório, posicionado junto à escada, mantém privacidade sem perder a relação visual com o entorno.
A cozinha de uso cotidiano conecta-se à sala por uma esquadria de vidro do tipo guilhotina. Esse recurso amplia a entrada de luz natural e permite diferentes níveis de abertura entre os ambientes.
Flexibilidade e adaptação dos dormitórios
A marcenaria projetada possibilita fechar parcialmente a cozinha, o escritório e a sala conforme a necessidade de uso. Uma circulação contínua conduz aos dormitórios, redesenhados para atender à nova fase da família.
Os quartos das crianças receberam dimensões semelhantes e uma linguagem mais neutra. Essa escolha acompanha o crescimento das moradoras e difere da linguagem adotada no apartamento anterior.
Continuidade material e elementos de conexão
A escada estabelece a ligação entre os dois pavimentos e reforça a unidade material do projeto. Painéis de madeira, paredes em tijolos aparentes e piso monolítico acompanham todo o percurso vertical.
As ripas de madeira atuam simultaneamente como guarda-corpo e elemento de proteção solar. No pavimento superior, uma estante sob medida percorre o corredor e atende tanto à academia quanto à sala de estar.
Lazer e materialidade unificadora
O estar superior integra sala, jantar, cozinha de apoio e um bar equipado com adega e placa de cozimento. Painéis coplanares permitem ocultar ou revelar os equipamentos conforme a utilização do espaço.
A área externa organiza-se em diferentes níveis, conectando estar, piscina, chuveiro e floreiras. A materialidade estabelece diálogo entre os pavimentos, com painéis de madeira em desenho tipo lambril e tijolos aparentes platinados.
Acabamentos e reaproveitamento do acervo
Superfícies monolíticas com acabamento mineral e paredes com textura em tom neutro claro definem a base do projeto. Nos dormitórios, a madeira carvalho americano cria atmosfera acolhedora, enquanto a sucupira predomina nas áreas sociais.
Grande parte do mobiliário veio do acervo dos moradores, recebendo novos posicionamentos ou reestofamento. A marcenaria sob medida integra essas peças ao projeto, preservando a unidade visual do conjunto arquitetônico.
Síntese do processo projetual
O acompanhamento da obra desde sua origem no Apartamento Atypik demonstra a eficácia da integração entre arquitetura e construção. Essa sinergia ampliou as possibilidades de personalização da cobertura, da concepção às etapas finais de obra.
A distribuição dos usos, a continuidade da materialidade e as soluções em marcenaria organizam uma residência funcional. O resultado é um espaço adaptado à rotina familiar e às transformações previstas para os próximos anos.
● Temporalidade e Flexibilidade Projetual
A antecipação da intervenção arquitetônica durante a fase construtiva permitiu uma reconfiguração estrutural da planta original. A supressão de alvenarias predeterminadas viabilizou uma integração espacial orgânica, transformando a unidade em referência técnica para a incorporadora. Essa sinergia entre projeto e canteiro maximiza a eficiência funcional, superando limitações de entregas padronizadas.
● Continuidade Material e Percepção Espacial
A narrativa do projeto sustenta-se na coerência material entre os pavimentos, evitando rupturas perceptivas. O emprego de tijolos aparentes platinados, painéis de madeira em desenho lambril e pisos monolíticos estabelece um diálogo tectônico contínuo.
As ripas de madeira, atuando simultaneamente como guarda-corpo e proteção solar, exemplificam a multifuncionalidade dos componentes, otimizando a permeabilidade visual e o controle luminoso.
● Adaptabilidade e Economia de Recursos
A marcenaria sob medida opera como dispositivo dinâmico, permitindo o fechamento parcial de ambientes e a camuflagem de equipamentos por meio de painéis coplanares. A esquadria de vidro tipo guilhotina na cozinha reforça essa versatilidade.
A reintegração do acervo mobiliário, via reposicionamento e reestofamento, demonstra uma abordagem sustentável que valoriza a memória afetiva sem comprometer a unidade estética contemporânea.
● Hierarquia de Usos e Transição Programática
A distribuição programática entre os níveis estabelece clara hierarquia entre a intimidade cotidiana e a recepção social. A escada funciona como eixo estruturante da continuidade espacial, enquanto a estante linear do pavimento superior dissolve os limites entre o corredor, a área de exercícios e o estar, promovendo fluidez operacional essencial à dinâmica familiar.
Ficha
Apartamento Atypik
Projeto: Conrado Ceravolo Arquiteto
Localização: São Paulo, SP
Área: Duplex
Fotografia: Romullo Fialdini
Contato:
Conrado Ceravolo Arquitetos
https://arqbrasil.com.br/286/conrado-ceravolo-arquitetos/

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