Como a arquitetura de experiência transforma um bar de 119 m² em Curitiba em percurso sensorial que mistura identidade ítalo-brasileira e design autoral contemporâneo

O Testarossa exemplifica como a arquitetura pode estruturar experiências completas por meio de zonas sensoriais, materialidade cuidadosa e fluxo espacial inteligente.
O Testarossa representa uma nova abordagem para bares no Brasil ao transformar a arquitetura em ferramenta narrativa.
Assinado pelas arquitetas Karina Kawano e Denise Maruishi, do escritório ARTD3, o empreendimento recém-inaugurado em Curitiba ocupa 119 metros quadrados e comporta sessenta pessoas.
Sua proposta vai além do atendimento tradicional ao estruturar a visita como um percurso sensorial que articula herança italiana, identidade brasileira e design autoral em camadas sucessivas de percepção.
Cinco zonas definem o ritmo da visita
O projeto organiza o espaço em cinco ambientes distintos que se revelam progressivamente. O balcão funciona como núcleo técnico e social, com moldura de madeira maciça e tampo de mármore Napoleon Bordeaux, onde o trabalho dos bartenders ganha caráter performativo.
A sala de estar suaviza o ritmo com sofás de couro e assentos mais baixos, convidando à permanência em atmosfera doméstica. O memorabília reúne objetos, prêmios e referências que contam a história do bar em uma parede editorial. A mesa democrática, comprida e também em mármore Napoleon Bordeaux, estimula encontros entre desconhecidos. O jardim de inverno fecha o percurso na área externa como espaço de respiro com luz natural.

Materialidade como manifesto identitário
A dualidade ítalo-brasileira se manifesta nos contrastes cuidadosamente compostos. O piso de ladrilho hidráulico antigo dialoga com o balcão de mármore italiano. Placas cimentícias que remetem à madeira associam-se à linguagem modernista brasileira, enquanto o teto vermelho evoca o design automotivo italiano.
O forro em alto brilho torna-se ícone do projeto ao provocar os sentidos e equilibrar conforto, memória e sofisticação. A paleta intensa, com o vermelho em evidência, constrói ambiente acolhedor sem prescindir da personalidade marcante.
Formas curvas e fluxo contínuo
A arquitetura evita rigidez geométrica ao privilegiar formas curvilíneas em toda a composição. Essa escolha cria fluidez visual entre os ambientes e reforça a sensação de movimento e integração. A ausência de ângulos retos permite que os espaços conversem entre si, sustentando a coreografia interna que orienta o comportamento do visitante sem imposições explícitas.
Luz que transforma a experiência temporal
O trabalho luminotécnico permite que o Testarossa proponha sensações distintas conforme o horário. No entardecer, a luz natural predomina em clima leve e acolhedor, convidando ao café e à descontração. Durante a noite, a iluminação torna-se mais baixa e envolvente, enquanto o som ganha ritmo e o ambiente direciona a atenção para os coquetéis autorais. Essa transformação diurna reforça a ideia de que o espaço nunca é neutro, mas induz comportamentos e relações sociais específicas.
Experiência como objetivo final
Mais que servir bebidas, o Testarossa propõe uma experiência completa construída pela arquitetura. Cada detalhe material, cada transição espacial e cada escolha cromática contribui para uma narrativa que celebra a mistura cultural brasileira com subcultura italiana. O resultado é um bar que foge do clichê ao apresentar complexidade conceitual, onde a jornada do cliente se torna tão relevante quanto o produto final servido no balcão.
#Estratégia espacial como narrativa
A divisão em cinco zonas sensoriais revela maturidade projetual ao transformar a sequência espacial em dispositivo narrativo. Cada ambiente opera com função emocional específica, estruturando uma coreografia que modula ritmos sociais sem recorrer a barreiras físicas rígidas. A mesa democrática exemplifica essa inteligência ao propor convivência espontânea por meio de mobiliário contínuo, enquanto o memorabília assume papel editorial sem didatismo, integrando história à materialidade construída.
#Diálogo material sem exotismo
O projeto evita a armadilha do pastiche ao estabelecer diálogo equilibrado entre referências. O ladrilho hidráulico convive com o mármore italiano não como citação folclórica, mas como camadas temporais que compõem identidade contemporânea. As placas cimentícias associadas ao teto vermelho de inspiração automotiva demonstram domínio na justaposição de linguagens, onde o modernismo brasileiro e a sofisticação europeia geram síntese própria, sem hierarquias artificiais.
#Fluidez como princípio ético
As formas curvilíneas operam além da estética ao dissolver fronteiras entre as zonas, permitindo transições sutis que respeitam a autonomia do usuário. Essa recusa à ortogonalidade rígida traduz concepção espacial onde a arquitetura não comanda, mas sugere comportamentos. O forro em alto brilho potencializa essa estratégia ao multiplicar reflexos e expandir perceptivamente o espaço restrito, demonstrando como restrição dimensional pode gerar riqueza experiencial quando tratada com precisão conceitual.
Contato:
Artd3 Arquitetura e Design
https://arqbrasil.com.br/53725/artd3/

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