Revitalização urbana de BH inspira-se em Barcelona e investe R$ 5 milhões para transformar cartão-postal em modelo de mobilidade ativa e convivência social

A revitalização da Rua Sapucaí em Belo Horizonte representa um marco na transformação de espaços públicos brasileiros. Com investimento de R$ 5 milhões e inspiração nos superblocos de Barcelona, o projeto prioriza pedestres, ciclistas e convívio social. A intervenção incluiu pavimentação em plano único, ciclovia bidirecional, mobiliário urbano e paisagismo, além de processo participativo com 7 mil pessoas.
Inspiração Europeia Transforma Cartão-Postal da Capital Mineira
A rua Sapucaí, localizada no bairro Floresta e reconhecida como ponto cultural e gastronômico de Belo Horizonte, reabriu suas portas ao público em 2025 após um ano de obras de revitalização.
O projeto, que demandou investimento de aproximadamente R$ 5 milhões, redesenhou os 600 metros da via situada entre as avenidas Assis Chateaubriand e Contorno. A intervenção integra o programa municipal “Centro de Todo Mundo”, cujo objetivo central é requalificar o hipercentro da capital mineira.
O Conceito dos Superblocos e a Prioridade ao Pedestre
A transformação da Sapucaí vai além de uma simples obra de infraestrutura urbana, representando uma mudança significativa na forma como a cidade concebe seus espaços públicos.
A Prefeitura de Belo Horizonte buscou inspiração nos “superblocos” de Barcelona, na Espanha, um modelo de transformação urbana que prevê o fechamento parcial de ruas ao tráfego de veículos para criar áreas de convivência destinadas a pedestres e ciclistas, promovendo maior lazer e mobilidade ativa.
Alexandre Nagazawa, arquiteto e urbanista e diretor da BLOC Arquitetura Imobiliária, explica que o conceito dos superblocos transforma quarteirões em verdadeiras ilhas de tranquilidade, priorizando pedestres, jardins e espaços de permanência. Segundo ele, trata-se de uma cidade que se mantém vibrante a partir do encontro entre as pessoas.
O projeto resgata ideias importantes do urbanismo, como as defendidas por Jane Jacobs e Jan Gehl, sob uma abordagem contemporânea conhecida como placemaking, termo que enfatiza o papel dos espaços urbanos como catalisadores da vida comunitária.
Histórico de Intervenções Urbanas na Capital
A requalificação da Sapucaí não representa um caso isolado na trajetória urbanística de Belo Horizonte. Nagazawa destaca que o fechamento das diagonais da Praça Sete, realizado em 2003, já indicava essa direção. O projeto da Praça da Savassi, implementado em 2012, também seguia o mesmo conceito.
O diferencial do momento atual reside na maturidade técnica e política para executar intervenções com qualidade e, principalmente, com maior participação popular. A revitalização da Sapucaí reforça o caráter já existente da rua, com foco em cultura, gastronomia e arte urbana, valorizando uma construção conjunta com a população mediante consulta pública.
Elementos Técnicos e Estruturais da Obra
A intervenção incluiu uma série de melhorias estruturais significativas. Foi realizada a pavimentação em plano único com concreto armado, ladrilho hidráulico, pedra portuguesa e trechos gramados, além de nova drenagem.
O projeto contempla ainda ciclovia bidirecional, mobiliário urbano com bancos e lixeiras, arborização e paisagismo. O mirante existente, que valoriza a vista da área central, foi reforçado com lunetas de observação gratuitas, instaladas próximo aos números 193 e 303, como parte do projeto turístico desenvolvido pela Belotur.

A Rua como Catalisador da Vida Urbana
Para Nagazawa, cidades vivas são aquelas que oferecem lugares de encontro, e a Sapucaí já possuía esse potencial. A revitalização veio para potencializar algo que já existia, funcionando como um verdadeiro catalisador urbano capaz de intensificar as relações sociais e culturais no espaço público.
Desafios Durante a Execução e Impacto nos Comerciantes
Apesar dos benefícios esperados, a obra não passou ilesa de críticas. Durante sua execução, comerciantes locais relataram queda de até 80% no faturamento. Nagazawa reconhece que esse tipo de transtorno é comum em intervenções urbanas, mas precisa ser minimizado.
Segundo ele, quanto maior for o tempo da obra, maior o impacto para quem vive e trabalha no entorno. Contudo, em termos de retorno, o que se colhe depois pode ser muito mais robusto do que o que se perde temporariamente.
Participação Popular e Construção Coletiva
Diferente de outras intervenções realizadas “de cima para baixo”, o projeto da Sapucaí passou por um processo de consulta pública que envolveu cerca de 7 mil moradores, além de comerciantes e pesquisadores. Houve reuniões presenciais e um formulário online que coletou sugestões da população.
Nagazawa ressalta que esse diálogo é essencial por se tratar de uma área simbólica da cidade. Quando a população sente que sua opinião está sendo considerada, ela se sente parte do processo, resultando em maior uso e apropriação do espaço, com menor chance de abandono ou vandalismo, e criação de um verdadeiro senso de pertencimento.
Alinhamento com o Plano Diretor e Visão de Futuro
A revitalização da Rua Sapucaí está alinhada às diretrizes do Plano Diretor de Belo Horizonte, revisado em 2022, que incentiva o uso misto do solo e busca uma cidade mais acessível para pedestres e menos dependente do automóvel. A proposta é recuperar o espaço urbano para as pessoas, em contraste com décadas de expansão centrada nos automóveis.
Para Nagazawa, o desafio não é apenas físico-financeiro, mas politicamente estrutural e permanente. A obra física é apenas o começo. É preciso integrar transporte público, garantir policiamento, promover eventos e assegurar manutenção constante para o espaço continuar vivo. O arquiteto também chama atenção para o potencial de replicar esse modelo em outras áreas da cidade, para além da região centro-sul, desde que acompanhadas por políticas estruturadas e continuidade administrativa.
Reconexão com a Essência Urbana de Belo Horizonte
A transformação da Sapucaí, segundo Nagazawa, representa um movimento de reconexão com a essência urbana de Belo Horizonte. Não se trata de uma ruptura ou de uma grande inovação, mas sim de uma reconexão com a cidade que Belo Horizonte já foi um dia: mais caminhável, verde e humana.
#Morfologia Urbana e Reconfiguração Espacial
A intervenção na Sapucaí evidencia uma mudança paradigmática no tratamento do espaço público brasileiro, transpondo conceitos consolidados do urbanismo tático europeu para o contexto latino-americano. A adoção do plano único como estratégia projetual dissolve hierarquias tradicionais entre calçada e leito carroçável, promovendo uma democratização morfológica do espaço que favorece a apropriação coletiva.
A diversidade de materiais especificados — concreto armado, ladrilho hidráulico, pedra portuguesa e superfícies permeáveis — revela preocupação com a legibilidade espacial e com diferentes padrões de uso, criando uma narrativa tátil que orienta fluxos e permanências.
#Mobilidade Ativa e Hierarquização Viária
A incorporação da infraestrutura cicloviária bidirecional representa avanço significativo na reestruturação modal da cidade, priorizando deslocamentos não motorizados e reduzindo a dependência do automóvel particular.
Essa inversão na hierarquia viária, colocando pedestres e ciclistas no centro do desenho urbano, alinha-se às premissas contemporâneas de sustentabilidade e qualidade ambiental urbana. A restrição ao tráfego motorizado não configura mera interdição, mas sim uma estratégia de ativação urbana que potencializa vocações preexistentes.
#Processo Participativo e Legitimação Social do Projeto
A metodologia participativa empregada transcende o mero cumprimento de exigências legais, configurando-se como ferramenta de co-criação que amplia a legitimidade social da intervenção.
O envolvimento de 7 mil participantes no processo decisório demonstra maturidade institucional e reconhecimento de que projetos urbanos bem-sucedidos demandam construção coletiva de consensos.
Essa abordagem mitiga conflitos posteriores e fortalece vínculos identitários entre comunidade e território.
#Sustentabilidade e Gestão Pós-Intervenção
O reconhecimento de que a obra física constitui apenas etapa inicial de um processo mais amplo revela compreensão sistêmica dos desafios urbanísticos. A necessidade de integração entre infraestrutura, segurança, programação cultural e manutenção contínua aponta para a complexidade da gestão urbana contemporânea, onde a vitalidade dos espaços públicos depende menos de soluções formais e mais de estratégias integradas de governança e ativação permanente.
Contato:
BLOC Arquitetura Imobiliária
https://arqbrasil.com.br/53362/bloc/

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