Projeto de interiores residencial transforma uma casa de 316 m² em Goiânia em um refúgio de convivência, com marcenaria sob medida, pedras naturais e curadoria de design pensados para viver com calma.

 

Interiores da Casa Tempo convidam a viver com calma

Uma casa de 316 m² em Goiânia ganha interiores que unem madeira, pedras naturais e peças de Sérgio Rodrigues e Leo Romano. Assinado pela Abaru, o projeto da Casa Tempo mostra como o design pode acolher uma nova etapa da vida. Descubra as soluções que transformaram a residência em um convite à calma.


Oportunidade inesperada

Em Goiânia, a Casa Tempo ocupa uma residência de 316 m² no setor Nova Suíça e traduz, nos interiores, o desejo de viver com calma. O imóvel foi adquirido por um casal de 60 anos ainda em fase de construção, o que abriu a possibilidade de transformar a obra em uma casa verdadeiramente particular.

O ponto de partida foi refletir o momento de vida dos moradores, seus hábitos e a maneira como desejavam receber a família e os amigos. O resultado é um espaço contemporâneo, acolhedor e profundamente conectado à rotina da casa.

Projeto de interiores residencial / Fotografia Heitor Rocha

Duas assinaturas complementares

O projeto de arquitetura é de André Luiz Nogueira. A personalização da residência, os interiores e a curadoria de mobiliário ficaram a cargo de Ana Kília, arquiteta e fundadora da Abaru, estúdio dedicado à arquitetura, interiores e curadoria.

Escopo amplo de personalização

Como a construção ainda se encontrava nos estágios iniciais, a equipe pôde participar ativamente das decisões que definiram a personalidade dos ambientes. O trabalho envolveu a redefinição do arranjo interno, a escolha de acabamentos, o desenho de bancadas, o projeto luminotécnico, a área gourmet, a marcenaria, a seleção de mobiliário e a curadoria de objetos.

Projeto de interiores residencial / Fotografia Heitor Rocha

“O nosso trabalho foi olhar para uma arquitetura que já estava em andamento e transformá-la em uma casa que tivesse a identidade dos moradores. A intenção era criar interiores acolhedores, atemporais e, principalmente, que fizessem sentido para a rotina deles”, explica Ana Kília. “Uma casa para viver com calma e para estar junto”, conclui a arquiteta.

Convivência integrada

O arranjo original entregue pela empreiteira foi reorganizado para responder às necessidades do casal. Na área social, estar, jantar e cozinha formam um ambiente amplo e integrado, pensado para favorecer a convivência.

Projeto de interiores residencial / Fotografia Heitor Rocha

Transição sutil entre ambientes

Um painel ripado de madeira natural cumaru marca a entrada da casa e, ao mesmo tempo, oculta uma sala de TV mais reservada, acompanhada por banheiro. A solução estabelece uma passagem discreta entre os ambientes sociais e o espaço de maior intimidade.

Projeto de interiores residencial / Fotografia Heitor Rocha

Áreas externas conectadas

No quintal, a piscina, os espaços de convivência e a área gourmet se conectam. O anexo, que ainda não havia sido construído quando os moradores adquiriram o imóvel, também foi desenvolvido dentro do escopo de personalização do projeto.

O paisagismo é assinado por Júlia Zveiter, integrante da equipe multidisciplinar da Abaru, e reforça a relação entre os interiores e as áreas externas.

Base neutra de materiais

Nos interiores, a escolha dos materiais partiu do desejo de criar uma base neutra, elegante e acolhedora. O porcelanato acetinado Decortiles, de 90 x 90 cm, da Eliane, foi aplicado em toda a casa, garantindo continuidade entre os ambientes.

Pedras naturais em destaque

Na cozinha integrada, as bancadas e o frontão alto foram executados em mármore dolomítico Biancatto, com acabamento escovado. Na área gourmet, o granito Preto São Gabriel, também escovado, confere resistência e uma tonalidade mais profunda ao espaço. A marcenaria combina MDF Cumaru Raiz, da Duratex, e Beige Matt.

Madeira e travertino

O painel ripado em cumaru da entrada acrescenta textura e calor ao ambiente, enquanto o painel da TV, em travertino, reforça a presença das pedras naturais no projeto. O resultado é um interior contemporâneo que evita excessos e aposta na combinação de madeira, pedra, tons neutros e peças de design.

Curadoria que nasceu no processo

A curadoria ganhou papel especial no projeto. Durante o desenvolvimento, a própria moradora descobriu-se colecionadora de peças de design e passou a selecionar objetos que hoje fazem parte da identidade da casa.

Acervo em cena

Na sala de estar, o Espelho Chuva, de Leo Romano, divide a atenção com a Poltrona Mole, de Sérgio Rodrigues, pertencente ao acervo da cliente. Os pendentes da sala de jantar e da cozinha integrada são assinados por Waldir Júnior.

Casa construída ao longo do tempo

A presença desses objetos evita que os interiores pareçam uma composição pronta. A residência se revela uma construção gradual, com peças escolhidas por quem realmente vive ali.

Projeto de interiores residencial / Fotografia Heitor Rocha

“A curadoria dos objetos acabou acontecendo de uma maneira muito orgânica. A cliente foi descobrindo o design durante o processo e começou a construir seu próprio acervo”, relata Ana Kília. “Para mim, isso é muito especial, porque o projeto deixa de ser apenas aquilo que o escritório propõe e passa a incorporar também as descobertas e escolhas de quem mora na casa”, complementa.

Soluções pensadas para a rotina

A personalidade dos moradores aparece também em pequenas decisões. Na escada, portas de vidro permitem restringir a circulação dos cachorros quando necessário, seja durante a limpeza, seja em momentos em que recebem visitantes que têm medo de animais.

Um olhar para o futuro

Na entrada, os moradores optaram pela instalação de um elevador destinado a situações de emergência. O recurso discreto considera não apenas o presente, mas também o futuro da família.

Tempo transformado em projeto

Foram três meses dedicados ao desenvolvimento dos interiores e da personalização, seguidos de sete meses de obra até a conclusão. A Casa Tempo traduz a ideia que está no próprio nome: uma residência pensada para acolher o tempo, os encontros e uma nova etapa da vida.

 

● O acerto do tempo de projeto

A aquisição da residência ainda em construção revela-se decisiva para a qualidade final. Como os interiores participaram antes da consolidação da planta, o arranjo espacial foi redesenhado a partir da rotina dos moradores, evitando a adaptação tardia a um partido alheio às suas necessidades. O caso demonstra os ganhos quando arquitetura, interiores e mobiliário avançam de maneira integrada desde a origem.

● Filtragem visual e graduação espacial

Convém destacar o painel ripado de cumaru, que sintetiza a lógica projetiva da casa. O mesmo elemento que qualifica a entrada opera como filtro visual, oculta a sala de TV e constrói uma transição gradual entre convivência e intimidade. Trata-se de um dispositivo de ambiguidade funcional, capaz de articular setores sem recorrer a fechamentos convencionais.

● Disciplina da paleta material

A base neutra adotada não empobrece a composição. O porcelanato único garante continuidade perceptiva e dilui as fronteiras do pavimento social, enquanto as pedras escovadas reservam desempenho e profundidade tonal às áreas de trabalho. Sobre esse fundo contido, madeira, travertino e o acervo em formação conquistam hierarquia e leitura clara.

● Projeto para o tempo longo

O elevador de uso eventual e as portas de vidro na escada antecipam cenários futuros, da acessibilidade à convivência com os animais. Mais do que uma decoração concluída, a Casa Tempo estrutura-se como suporte aberto a transformações, e o conceito que dá nome à residência encontra respaldo em cada decisão projetual.

 

Ficha
Casa Tempo
Localização: setor Nova Suíça, Goiânia, GO
Área: 316 m²
Tipo: casa
Estilo: contemporâneo
Arquitetura: André Luiz Nogueira
Interiores, personalização e curadoria de objetos Casa Abaru
Paisagismo: Júlia Zveiter / Abaru
Fotografia: Heitor Rocha

Fornecedores
Marcenaria: @multiforms.moveisplanejados
Marmoraria: @petrasdesignemrochas
Mobiliário: @cenariomoveis
Iluminação: @cenailuminacao

Design
Espelho Chuva: Leo Romano
Poltrona Mole: Sérgio Rodrigues
Pendentes: Waldir Júnior

 

Contato
Casa Abaru
https://arqbrasil.com.br/57141/casa-abaru/

 


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