Assinado pelos escritórios Zien Arquitetura e Gensler, o residencial de sete andares ocupa o último terreno disponível da Avenida Delfim Moreira e emoldura a paisagem que inspirou o projeto

Na orla do Leblon, o edifício Tom Delfim Moreira traduz o modernismo carioca em curvas que emolduram o mar e o Dois Irmãos. Assinado por Zien Architects e Gensler, leva o mosaico de Burle Marx ao lobby e estreia o Corian em fachadas residenciais no Brasil. Descubra as soluções que definiram esse projeto.
Equilíbrio de contrastes
Na orla do Leblon, de frente para o mar, o edifício Tom Delfim Moreira nasceu da busca por uma arquitetura capaz de traduzir a alma do bairro. O partido propõe um equilíbrio de contrastes entre elegância e simplicidade, despojamento e sofisticação, urbanidade e natureza exuberante, praia e vida noturna.
Tradição modernista e irreverência contemporânea
Assinado pelos escritórios Zien Arquitetura e Gensler, o residencial de sete andares reúne a tradição modernista e a irreverência contemporânea que marcam a renovação recente da arquitetura no Rio de Janeiro. A parceria alia o desenho carioca à experiência internacional da equipe.
O último terreno da avenida
O empreendimento ocupa o último terreno disponível da Avenida Delfim Moreira, em situação complexa. A edificação está encaixada entre três empenas vizinhas, laterais e de fundo, e sujeita à limitação de gabarito imposta pela legislação que protege a orla da projeção de novas sombras.

A vista como eixo do partido
A restrição normativa, porém, não impediu a conquista de uma vista privilegiada para o mar, aspecto explorado como eixo do partido arquitetônico. O edifício insere-se na silhueta da avenida sem concorrer com os vizinhos das décadas anteriores e, ao mesmo tempo, emoldura um dos cartões-postais mais conhecidos do país.
Paisagem como referência
A linha infinita do oceano, o morro Dois Irmãos, o contraste entre a areia branca e o azul-turquesa do mar, o desenho geométrico de Burle Marx e o pôr do sol serviram de inspiração. A linha do horizonte foi trabalhada ao máximo a partir dos interiores, como se a paisagem invadisse os apartamentos.

Terraços que prolongam o passeio
Os generosos terraços, projetados à frente do recuo frontal dos edifícios vizinhos, combinam a estampa modernista dos passeios com as curvas e a sensualidade da natureza local. O desenho estabelece uma transição entre o espaço público e a fachada sinuosa.
O mosaico de Burle Marx no interior
O padrão geométrico do paisagista estende-se da calçada até o hall de entrada, ambientado pelo Estúdio Figueira. O recurso honra o célebre desenho do passeio carioca, cria continuidade entre o leito público e a arquitetura e ancora o projeto no legado do design do Rio de Janeiro.
Materiais diante da maresia
A linguagem arquitetônica é atemporal e une simplicidade e tecnologia. Cada material foi definido pelo conforto dos usuários e pela durabilidade diante da agressividade da maresia, condição permanente na orla.
Fachada escultural em Corian
A fachada escultural é executada em Corian, produto comumente associado a bancadas de cozinha e empregado pela primeira vez no Brasil em um edifício residencial. Alta resistência, não porosidade, uniformidade e termoformabilidade permitem junções precisas e contínuas, qualidades decisivas para moldar os terraços curvilíneos.
Madeira acetilada nas varandas
No interior das varandas, a madeira Accoya, tratada por acetilação, assegura durabilidade e estabilidade ao longo do tempo. Sua materialidade suave contrasta com os elementos pré-fabricados e confere acolhimento aos ambientes.
Vistas ininterruptas
Molduras de janela transparentes, quase invisíveis, completam a fachada e asseguram vistas sem obstruções, reforçando a relação entre os ambientes internos e a paisagem circundante.
Plantas flexíveis
As plantas são flexíveis, com estrutura e instalações adaptáveis a diferentes perfis de moradores. A configuração atende do casal jovem à família numerosa, da moradia principal à residência de férias, de brasileiros a estrangeiros. Cada morador pode imprimir sua personalidade e transformar o apartamento em um lar.

Arte contemporânea brasileira
A arquitetura, entendida como prática multidisciplinar, incorporou amplamente a arte contemporânea brasileira. Com curadoria da agência Viva Projects, obras de Iole de Freitas, Ernesto Neto, Sebastião Salgado, Vik Muniz, dos irmãos Campana, de Sonia Gomes e Claudia Andujar complementam o projeto, expostas no hall e no passeio público.
Permanência sem modismos
Com atenção ao detalhe, materiais e soluções duradouros buscam manter o edifício sempre atual e livre de modismos. A proposta combina o design da Zien com a experiência internacional da Gensler e o repertório da cultura brasileira.
Obra concluída em 2024
Iniciado em 2020, o empreendimento teve a construção concluída pela Gafisa em 2024. O edifício encerra o destino do último terreno da Avenida Delfim Moreira com uma obra que se integra à paisagem e traz o cartão-postal carioca para dentro de casa.
● A restrição como vetor projetual
Do ponto de vista do partido, o empreendimento demonstra maturidade ao converter limitações normativas em recursos de projeto. O gabarito controlado e as empenas contíguas, condições que em outra situação redundariam em perda de qualidade espacial, foram enfrentados com a orientação das unidades para o horizonte marítimo e o avanço dos terraços sobre o recuo frontal, gesto que amplia a superfície de fruição da paisagem sem transgredir a legislação.
● Inovação material em ambiente agressivo
A transferência do Corian do universo doméstico para a fachada constitui contribuição expressiva para a construção residencial brasileira. A decisão articula racionalidade técnica e expressão plástica, já que a termoformabilidade sustenta as curvaturas dos terraços e a não porosidade responde à maresia.
A madeira acetilada nas varandas completa a especificação, equilibrando desempenho e conforto tátil diante dos elementos pré-fabricados.
● Continuidade urbana e memória modernista
A extensão do mosaico de Burle Marx do passeio público ao interior do edifício dissolve a fronteira entre cidade e lote, operação coerente com a tradição carioca revisitada sem mimetismo. As curvas, amparadas pela tecnologia contemporânea, renovam a herança modernista sem ruptura com o contexto edificado.
● Versatilidade e integração das artes
A flexibilidade estrutural e de instalações, associada à presença de arte brasileira nos espaços comuns, consolida a arquitetura como campo multidisciplinar. Tal postura assegura adaptabilidade aos distintos perfis de ocupação e confere longevidade ao conjunto, atributo valioso quando se busca afastar o projeto dos modismos.
Ficha
Projeto de Arquitetura: Zien + Gensler
Equipe de projeto: Michel Rike, Olivier Sommerhalder, Michael Volk, Gabriel Fiuza, Juliana Garcias, Bianca Borin, João Neri, Gabriel Braga, Natasha Taylor, Mateus Martins, Alvaro Bremenkamp, Leonardo Pauli, Fernanda Frug, Rafael Bahia, Beatriz Franklin, Bruna Ferreira, Jennifer Liao.
Legalização: Sérgio Gattás Arquitetos Associados.
Desenvolvimento e Realização: Gafisa S/A.
Projeto de Paisagismo: Sá & Almeida
Projeto de Arquitetura de Interiores: Erick Figueira de Mello.
Comunicação e Imagens 3D: Domus Arquitetura Digital.
Curadoria: Viva Projects.
Acessibilidade – Inovatech
Desempenho Acústico – Inovatech
Impermeabilização – Proassp
Luminotécnica – LD Studio
Aspiração Central – Casa do Futuro
Automação – Casa do Futuro
Climatização – Integrar
Desempenho Lumínico – Inovatech
Desempenho Térmico – Inovatech
Elétrica – Inovatech
Hidráulica – Inovatech
Engenharia de Incêndio – Cad Engenharia
Caixilharia – P&S Consultores
Piscina – Innovatori
Fundações – Planicon Engenharia
Estrutura – França & Associados
Vedações – Arco Engenharia
Fornecedores
Corian (fachada externa) — fornecido por Sigma Brasil e instalado por Alubond.
Acoyya (Fachada Lateral da Varanda)
Allugel (Sistemista de Caixilho, Aletados E Guarda-Corpo)
Olgacolor (Pintura dos Alumínios)
Portobello (Revestimentos)
Contato:
Zien Arquitetura
https://arqbrasil.com.br/54418/zien/

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