Projeto de interiores no Morumbi revela como a reconfiguração espacial e a curadoria de design brasileiro transformam a arquitetura residencial em espaço de memória e funcionalidade.

 

Projeto de interiores integra design brasileiro e memória

Como transformar uma residência sem apagar sua história? Este projeto de interiores no Morumbi revela soluções técnicas de reconfiguração espacial e curadoria afetiva que garantem funcionalidade e identidade. Confira os detalhes desta intervenção arquitetônica que une passado e presente.


Uma residência de 312 m² no Jardim Vitória Régia, região do Morumbi em São Paulo, ganhou nova configuração familiar. O projeto de reforma e interiores foi assinado pela arquiteta Thaís Helena Ribeiro e concluído em 2025. A proposta valorizou a arquitetura existente para criar um lar acolhedor e funcional.

Respeito à personalidade arquitetônica

A edificação original, projetada por Marcos Tomanik, já possuía uma história própria consolidada. Uma reforma anterior de interiores havia sido conduzida pela designer Vanessa Buarque, proprietária do imóvel. A arquiteta atuou com intervenções pontuais para adaptar o espaço sem descaracterizar sua essência estrutural.

O desafio inicial consistia em verificar se a planta atenderia à nova moradora e seus três filhos. A solução demandou a criação de uma quarta suíte no pavimento inferior. Um antigo ateliê e um depósito foram integrados para receber a nova acomodação da filha mais velha, com marcenaria planejada específica para o uso.

Diálogo entre materialidade e contemporaneidade

A base expressiva da casa inclui tijolinho à vista, madeira de demolição, pedra e piso de mármore. A vegetação abundante aproxima os ambientes da linguagem rústica de uma casa de campo. O projeto de interiores adicionou tecidos, fibras e tramas para introduzir cor e personalidade aos espaços.

A composição eclética evita enquadrar a residência em um único estilo decorativo. A profissional buscou o encontro harmonioso entre diferentes épocas e materiais construtivos. O resultado afasta a aparência de showroom e constrói uma narrativa visual por camadas de ocupação.

Curadoria de peças e design brasileiro

A sala de estar reúne a Poltrona Moleca, de Sergio Rodrigues, adquirida na Galeria Teo. O ambiente também conta com o Sofá Gomos e as Poltronas Plissadas, da Suíte Design para a Líder. Um aparador garimpado com madeira natural recuperada complementa o conjunto de mobiliário.

Na sala de jantar, a Mesa Serpentina, do FGMF para a Líder, dialoga com o Buffet Curvo, do Estúdio Líder. As cadeiras Cantu, também de Sergio Rodrigues, foram encontradas em antiquário. Essa seleção reforça a premissa de evitar peças pertencentes a uma única coleção ou período histórico.

Valorização do acervo familiar

Objetos herdados desempenham papel fundamental na ambientação afetiva dos espaços. Na adega, a cristaleira e o bar pertenciam à avó da cliente, enquanto as poltronas Costela, de Martin Eisler, vieram da residência anterior. O baú garimpado e a nova função de convivência transformaram radicalmente o local.

Pequenos gestos de adaptação reforçam essa relação com a memória. Uma estante que funcionava como biblioteca sob a escada foi convertida em louceiro. A antiga máquina de costura da avó ganhou protagonismo na sala, atuando agora como um funcional aparador no cotidiano.

Funcionalidade e áreas de lazer

A rotina de receber visitas orientou a distribuição estratégica dos ambientes internos. A sala de estar oferece múltiplos lugares para sentar, preservando a circulação fluida. Duas salas de televisão, nos pavimentos inferior e superior, permitem usos simultâneos pela família e amigos dos filhos.

A área externa foi equipada com mobiliário da Tidelli, que utiliza cordas náuticas e tecidos tecnológicos. A escolha garante resistência à exposição ao tempo sem competir com a arquitetura existente. A suíte master preservou o carpete e o móvel baixo da televisão como elementos de continuidade.

Novos tecidos, cortinas e mobiliário da Líder completaram o ambiente íntimo de descanso. A suíte se abre para uma varanda cercada de verde, oferecendo uma vista que remete a paisagens distantes do centro urbano. O paisagismo existente foi plenamente integrado à nova proposta de ocupação.

Agilidade em parceria consolidada

O desenvolvimento inicial do projeto ocorreu em aproximadamente trinta dias. Nesse período, foram definidos os layouts, a nova suíte e a curadoria de peças decorativas. A agilidade foi viabilizada pela relação de longa data entre a profissional e a cliente Rosana.

Esta é a décima colaboração entre a arquiteta e a moradora, em parceria profissional iniciada há mais de uma década. O conhecimento prévio dos hábitos da família e do acervo disponível otimizou todas as decisões de projeto. O TH_CAREZZA consolida-se assim como uma continuidade histórica e afetiva do imóvel.

● Reconfiguração Programática e Espacial

A intervenção demonstra acerto técnico na reconfiguração do pavimento inferior da residência. A conversão de um antigo ateliê e depósito em uma quarta suíte resolve a demanda funcional da família sem comprometer a lógica construtiva original. Essa adaptação tipológica preserva a integridade da planta baixa, enquanto otimiza o aproveitamento espacial interno do imóvel, atendendo aos requisitos de habitabilidade com precisão.

● Materialidade e Estratificação Temporal

O projeto estabelece um diálogo consistente entre a materialidade preexistente e as novas camadas de ocupação espacial. A manutenção deliberada do tijolo aparente, da pedra e da madeira de demolição serve como base tectônica para a inserção de tramas têxteis e mobiliário de design brasileiro autoral.

Essa estratégia compositiva evita a homogeneização estética superficial e confere autenticidade e densidade histórica ao espaço verdadeiramente habitado.

● Curadoria Afetiva e Funcionalidade

A ressignificação de objetos herdados, como a máquina de costura convertida em aparador, ilustra uma curadoria que transcende a mera decoração. A transformação funcional de uma biblioteca em louceiro e a integração de peças de acervo familiar validam a arquitetura como suporte ativo de memória afetiva.

O resultado final é um ambiente que rejeita a efemeridade do mobiliário de série em favor da permanência narrativa e da identidade própria do morador.

● Integração Ambiental e Fluxos de Circulação

A distribuição dos ambientes de estar e lazer considera os fluxos de circulação e a vocação social da moradia. A presença de duas salas de uso simultâneo e a área externa equipada com mobiliário de alta resistência técnica garantem a versatilidade dos espaços.

A preservação da vista para o paisagismo denso a partir da suíte master reforça a conexão bioclimática e sensorial entre o interior e o entorno natural, mitigando a densidade urbana típica da metrópole.

 

Ficha:
Interiores TH_Carezza
Projeto: Thaís Helena Ribeiro Arquitetura
Área: 312 m².
Localização: Jardim Vitória Régia, São Paulo, SP.
Projeto original de arquitetura: Marcos Tomanik / MTSC Arquitetura — @mtscarquitetura
Projeto de interiores e reforma anterior da residência: Vanessa Buarque — @vbuarque
Fotografia: Mariana Orsi

Fornecedores: Líder Design; Tidelli; Galeria Teo; Antiquário Araras; Desmobília; A Morada; Botteh Tapetes; By Kamy; Quartos e etc.

 

Contato
Thaís Helena Ribeiro Arquitetura
https://arqbrasil.com.br/56895/thais-helena-ribeiro/

 


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