Exposição na Japan House São Paulo desvenda a técnica kigumi e os encaixes em madeira que dispensam pregos, revelando a sofisticação da carpintaria tradicional japonesa

 

Técnica kigumi: precisão da marcenaria tradicional japonesa

Mostra em São Paulo explora os sistemas de encaixe sem ferragens que sustentam a arquitetura tradicional do Japão há séculos.


Ciclo dedicado à marcenaria tradicional japonesa se encerra em São Paulo

A Japan House São Paulo apresenta a exposição “Imbuídos das forças das florestas do Japão – KIGUMI: revelando a carpintaria por trás da junta de madeira”. A mostra ocupa o segundo andar da instituição, com entrada gratuita até 2 de agosto de 2026. O projeto completa o ciclo iniciado em 2025 sobre a marcenaria tradicional do Japão.

Técnica Kigumi dispensa ferragens e une precisão à estética

A técnica kigumi consiste em entalhar e encaixar peças de madeira sem emprego de pregos, parafusos ou ferragens metálicas. O método secular japonês prioriza a união precisa entre os elementos estruturais. A exposição convida o público a aprofundar o olhar sobre esse sistema construtivo.

Técnica kigumi / Fotografia Ricardo Amado

Sistemas tsugite-shikuchi equilibram resistência e durabilidade

Também denominados tsugite-shikuchi, esses encaixes traduzem-se como emendas e entalhes em versão livre. Tais sistemas transcendem a simples junção de peças de madeira e constituem tecnologia fundamental. O equilíbrio entre resistência, durabilidade, viabilidade construtiva e estética orienta seu desenvolvimento.

Técnicas históricas evoluíram do período Kamakura ao Edo

Os métodos evoluíram para atender demandas de cada era e manifestam-se em formas variadas. O kumiko, técnica de treliça em madeira, iniciou-se no período Kamakura entre o final do século XII e 1333. O sashimono aperfeiçoou-se durante o período Edo, entre 1603 e 1867, como delicada técnica de encaixe.

Técnica kigumi / Fotografia Ricardo Amado

Reconstrução do kumimono referencia templo do século XIII

O kumimono apresenta estrutura complexa de madeira que sustenta o teto acima dos pilares das construções. A exposição exibe reconstrução baseada em exemplares existentes no templo Engaku-ji, estabelecido no século XIII em Kamakura. A peça ilustra a sofisticação dos sistemas de cobertura na arquitetura tradicional japonesa.

Curadoria seleciona mais de cinquenta encaixes representativos

Marcelo Nishiyama, diretor associado e curador do Takenaka Carpentry Tools Museum, assina a seleção de mais de cinquenta encaixes. As juntas revelam sistema sofisticado resultado de séculos de aprimoramento técnico e transmissão de saberes entre artesãos. Os valores e ideais que fundamentam essas soluções também estão em evidência.

Técnica kigumi / Fotografia Ricardo Amado

Reprodução inédita da Ponte Kintaikyō destaca engenharia em madeira

A mostra em São Paulo representa o desfecho do projeto com elementos adicionais, incluindo reprodução inédita de parte da Ponte Kintaikyō. A estrutura emblemática, construída originalmente em 1673, apresenta sistema em arco capaz de sustentar vão de 36 metros sem pilares intermediários. Solução rara em madeira, já que estruturas desse tipo são tradicionalmente executadas em pedra.

Recurso interativo permite desmontagem digital da estrutura

O público explora a complexidade arquitetônica da ponte por meio de recurso interativo que possibilita desmontar digitalmente a estrutura. A ferramenta revela os princípios que garantem estabilidade e resistência ao conjunto. A experiência facilita a compreensão técnica sem comprometer o rigor conceitual.

Experimentação sensorial revela o que permanece oculto nas construções

Mesas com encaixes manipuláveis permitem ao visitante experimentar na prática o funcionamento dessas estruturas. A proposta revela o que normalmente permanece oculto nas construções e facilita a compreensão por interação sensorial. Nishiyama ressalta que a precisão das juntas resulta em alta durabilidade e solidez, graças à sustentação entre as partes.

Imersão profunda valoriza transmissão de saberes entre gerações

Natasha Barzaghi Geenen, diretora cultural da Japan House São Paulo, destaca que o conjunto apresentado possibilita imersão no universo dos artistas da madeira. A busca pelo aperfeiçoamento constante, a valorização do trabalho manual e a contínua transmissão do conhecimento são essenciais para entender o Japão como referência na carpintaria. A exposição consolida esse legado em solo brasileiro.

 

Marcelo Nishiyama — curador especializado em história da arquitetura e design no Takenaka Carpentry Tools Museum, em Kōbe, Japão, organizou diversas exposições baseadas em pesquisas na área de tecnologia de construção. Seu trabalho abrange uma ampla variedade de assuntos, incluindo carpintaria e ferramentas, fabricação de lâminas e a arte do sakan (técnica japonesa de acabamento para paredes feita a partir de um tipo de argamassa natural), bem como técnicas modernas de construção, como madeira laminada cruzada (CLT). Recentemente, foi curador de exposições no Manggha Museum (Polônia) e na Maison de la Culture du Japon à Paris (França), e da primeira exposição “Imbuídos das forças das florestas do Japão – Mestres da carpintaria: habilidade e espírito” na Japan House São Paulo.

 

Serviço:
Exposição “Imbuídos das forças das florestas do Japão – KIGUMI: revelando a carpintaria por trás da junta de madeira”
Período: até 2 de agosto de 2026.
Local: Japan House São Paulo, segundo andar – Av. Paulista, 52 – São Paulo/SP
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h.
Entrada gratuita. Reservas online antecipadas (opcionais) no site.

 

Contato:
Japan House São Paulo
(11) 3149-5187
https://japanhousesp.com.br/

 

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