Restauro de acervo cultural no Teatro Oficina revela como a preservação de pinturas de Surubim Feliciano da Paixão fortalece a memória cênica e inspira novas práticas de gestão patrimonial

Projeto de conservação de pinturas de Surubim Feliciano da Paixão integra técnicas especializadas de restauro, gestão de reservas técnicas e difusão do patrimônio imaterial, reforçando o papel da arquitetura como suporte da memória cultural.
A Casa de Acervo Oficina inicia processo de conservação de obras do artista pernambucano Surubim Feliciano da Paixão. O espaço de preservação da memória teatral amplia seu escopo para além de figurinos e adereços cênicos. A iniciativa marca novo capítulo na salvaguarda do patrimônio imaterial da companhia paulistana.
Sustentabilidade financeira após ciclo de fomento público
O projeto de continuidade surge com provisão orçamentária originada de locações, visitas guiadas, brechó e bilheteria. A estratégia garante autonomia após encerramento de aporte do ProAC. O modelo demonstra viabilidade de gestão compartilhada entre iniciativa artística e autofinanciamento.
Sobrado da Bela Vista como núcleo de memória viva
O imóvel de três pavimentos guarda três décadas de trajetória do Teatro Oficina. Inaugurado em 2023, o espaço abriga objetos de cena da companhia fundada por José Celso Martinez Corrêa e colaboradores. A arquitetura do casarão dialoga com a função de reserva técnica acessível e ativa.

Surubim Feliciano da Paixão (Arquivo Edgard Leuenroth) / Valéria de Mendonça, responsável pelo restauro das obras de Surubim
Perfil multidisciplinar de Surubim Feliciano da Paixão
Nascido em Machados, Pernambuco, em 1940, o artista faleceu em São Paulo em 1991. Zelador, cirandeiro, músico e artista visual, integrou o Oficina a partir de 1979. Sua produção sintetiza saberes populares e linguagem cênica experimental.
Contribuição para a cinematografia e a música teatral
Surubim é autor de “Tupi or not Tupi”, faixa emblemática da versão fílmica de “O Rei da Vela”. O projeto, iniciado em 1971, foi interrompido pela ditadura e concluído em 1982. A trilha sonora reforça a simbiose entre composição musical e dramaturgia política.

Produção autoral e registro fonográfico
Em 1985, com recursos de direitos autorais da venda do filme para a Alemanha, o artista gravou seu único disco. A obra contou com o grupo Caboclos Cirandeiros e Os Tupis do Oficina. O registro consolida a canção como elemento identitário da companhia.
Atuação na montagem de Os Sertões e processo de tombamento
Ao longo de doze anos, Surubim integrou geração de artistas que construíram o espetáculo “Os Sertões”. Sua participação foi relevante no processo de tombamento e desapropriação do Teatro Oficina. A trajetória evidencia o vínculo entre prática artística e ativismo patrimonial.
Poética visual e suportes improvisados
As pinturas, incluindo “O Fantástico Cavalo Azul”, foram produzidas na década de 1980. Criadas sobre tampos de madeira e materiais não convencionais, as obras refletem a estética da precariedade radical. A escolha dos suportes expressa coerência com o imaginário popular e a arquitetura cênica do período.
Coordenação técnica especializada em pintura de cavalete
O projeto de conservação é liderado por Valéria de Mendonça, com passagem pela Pinacoteca do Estado de São Paulo. A profissional atua na implantação de reservas técnicas em instituições públicas. Sua abordagem prioriza a estabilização material sem descaracterizar a intenção original do artista.
Cronograma coletivo de pesquisa e intervenção
Em 23 de abril de 2026, dia de São Jorge, teve início a fase operacional do restauro. A equipe, composta por Elisete Jeremias, Bianca Terraza, Joel Carlos, Alessandra Cavaco, Victor Rosa e Valéria de Mendonça, segue cronograma de três meses. As atividades ocorrem às segundas e quintas-feiras na sede do Bixiga.
Resultados do aporte do ProAC na organização do acervo
Ao longo de doze meses, o fomento público permitiu transformar um depósito em reserva técnica organizada. Mais de 3.500 peças foram catalogadas, superando a meta inicial. A digitalização de 2 mil itens na plataforma Tainacan amplia o acesso gratuito a pesquisadores e instituições de ensino.
Capacitação técnica e protagonismo da equipe interna
Cerca de vinte artistas da companhia participaram do projeto sob direção de Elisete Jeremias. A camareira Cida Melo, guardiã voluntária por mais de vinte e cinco anos, foi essencial na preservação dos figurinos. Oficina de Conservação Têxtil com Cláudia Nunes aprimorou protocolos de acondicionamento e higienização.
Infraestrutura e difusão do patrimônio imaterial
O sobrado passou por adequações de segurança patrimonial e equipamentos contra incêndio. Conteúdos audiovisuais de memória oral foram produzidos para o canal institucional. A estratégia integra preservação física e circulação digital do acervo.
Modelo de gestão com foco em sustentabilidade e acesso
A Casa de Acervo Oficina incrementou visitas guiadas e locações para projetos teatrais e audiovisuais. A geração de receita própria viabiliza a manutenção do espaço sem exclusão de públicos. O modelo aponta para uma política de patrimônio cultural gerido por coletivos artísticos.
Preservação como compromisso com a formação e a circulação
Elisete Jeremias afirma que memória não é acúmulo, mas responsabilidade ativa. A iniciativa busca intercâmbio com escolas de moda, artistas, técnicos e estudantes. O restauro das obras de Surubim reafirma que preservar arte é uma escolha de futuro para o teatro brasileiro.
Contato:
Casa de Acervo Oficina
(11) 3106-2818
https://www.acervo.teatroficina.com/

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