Exposição Jorge dos Anjos no Sesc Pompeia articula escultura monumental e arquitetura de Lina Bo Bardi, revelando como materialidade e memória constroem linguagem visual contemporânea

 

Exposição Jorge dos Anjos em diálogo com o legado de Lina Bo Bardi

A mostra articula esculturas monumentais com a arquitetura modernista de Lina Bo Bardi, promovendo experiência sensorial e reflexão sobre memória cultural por meio da materialidade e do projeto expográfico aberto.


O Sesc Pompeia recebe, a partir de 17 de março de 2026, a primeira exposição individual em São Paulo dedicada ao artista mineiro Jorge dos Anjos. Mostra que celebra cinco décadas de produção com obras que dialogam com o patrimônio modernista e reforçam a materialidade como linguagem artística.

Intitulada “Riscadura de fogo”, a mostra reúne mais de cinquenta anos de trajetória do criador, que completa sete décadas de vida, e estabelece um diálogo direto com a arquitetura projetada por Lina Bo Bardi para a unidade. O conjunto expográfico ocupa integralmente a Área de Convivência, articulando esculturas, pinturas, desenhos, registros em vídeo e obras concebidas especificamente para o espaço.

Exposição Jorge dos Anjos / Fotografia Daniel Moreira

Diálogo espacial com o legado de Lina Bo Bardi

A intervenção no Sesc Pompeia reforça o caráter processual da exposição ao incluir montagens realizadas in loco, potencializando a relação entre a produção artística e a estrutura arquitetônica modernista. Esculturas monumentais em metal e pedra-sabão distribuem-se pelo percurso do público, com peças posicionadas sobre o curso d’água da Área de Convivência e outras instaladas em suas bordas. Grandes estruturas metálicas acompanham a circulação dos visitantes, estabelecendo uma leitura espacial que respeita a volumetria original do projeto de Lina Bo Bardi e amplia a experiência sensorial do entorno.

Exposição Jorge dos Anjos / Fotografia Daniel Moreira

Curadoria e pesquisa acadêmica articuladas

A curadoria de Lucas Menezes, doutor em História da Arte pela Université Panthéon-Sorbonne e curador assistente do Instituto Inhotim, articula um panorama coerente da produção do artista. A pesquisa de Lorraine Mendes, professora e doutoranda em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, aporta referências culturais afro-brasileiras transformadas em linguagem visual.

A abordagem evidencia a consistência de uma gramática própria, marcada pela relação entre matéria, gesto e memória, sem perder a autonomia de cada trabalho inserido no conjunto expográfico.

Materialidade e fogo como agentes transformadores

A escultura constitui o eixo estruturante da produção de Jorge dos Anjos, com ênfase no trabalho com ferro, aço, pedra-sabão e madeira. Muitos procedimentos construtivos adotam técnicas diretas nas quais o fogo atua como elemento de transformação da matéria, orientando também a identidade visual da mostra por meio de tonalidades vermelho-alaranjadas.

Essa postura afirmativa não parte da ideia de reparação, mas afirma valores culturais e históricos pela elegância formal e pela ressignificação de símbolos em linguagem contemporânea.

Projeto expográfico privilegia experiência sensível

O desenho expográfico assinado por Tiago Guimarães propõe uma ocupação aberta do espaço, promovendo proximidade entre público e obra. A disposição das peças considera a escala humana e a percepção tátil, permitindo uma leitura mais direta das texturas e volumetrias. A estratégia de montagem reforça a dimensão processual da exposição, na qual o visitante percorre um trajeto que integra arquitetura, escultura e paisagem interna do Sesc Pompeia.

Trajetória consolidada em coleções e espaços públicos

Jorge Luiz dos Anjos iniciou sua formação na Fundação de Arte de Ouro Preto, sob orientação de Nuno Mello, Ana Amélia e Amilcar de Castro. Sua produção integra acervos institucionais como o Instituto Inhotim e a Pinacoteca de São Paulo, além de ocupar espaços públicos de relevância urbana, como a Lagoa da Pampulha em Belo Horizonte e o Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro. Recentemente, uma obra do artista foi incorporada ao Acervo Sesc de Arte e encontra-se em exibição no Sesc Franca, ampliando o reconhecimento de sua pesquisa no cenário nacional.

Memória como fundamento poético e estrutural

A presença de signos associados às religiões de matriz africana e a experiências coletivas de formação cultural aparece na obra como fundamento poético. A exposição revela um percurso contínuo de experimentação, no qual cada trabalho se conecta a investigações anteriores sem perder autonomia.

A mostra “Riscadura de fogo” consolida-se assim como um panorama qualificado da produção de Jorge dos Anjos, articulando técnica, memória e arquitetura em um conjunto coerente e sensível para o público do Sesc São Paulo.

● Integração entre volumetria escultórica e espaço arquitetônico

A intervenção no Sesc Pompeia demonstra compreensão apurada da sintaxe espacial linaiana, ao posicionar obras monumentais sem comprometer a leitura da estrutura original. A distribuição das peças ao longo do percurso considera a seção transversal da Área de Convivência, respeitando os planos verticais de concreto aparente e a permeabilidade visual característica do projeto. A escultura sobre o curso d’água estabelece uma relação de tensão equilibrada com o elemento líquido, potencializando a percepção de leveza nas peças em metal.

● Materialidade como dispositivo de leitura espacial

O emprego de ferro, aço e pedra-sabão dialoga com a paleta material de Lina Bo Bardi, reforçando a coerência tectônica do conjunto. O fogo, enquanto agente transformador, opera também como conceito expográfico, unificando a narrativa visual por meio de tonalidades que contrastam com o cinza do concreto. Essa estratégia cromática orienta a percepção do visitante sem impor hierarquias rígidas, permitindo múltiplos pontos de foco ao longo da circulação.

● Expografia como instrumento de mediação sensível

A ocupação aberta proposta pelo projeto expográfico privilegia a experiência corporal do espaço, alinhando-se à abordagem humanista da arquitetura original. A disposição das obras considera a escala humana e os ritmos de percurso, evitando obstruções visuais e mantendo a fluidez entre os planos. Essa solução reforça o caráter processual da mostra, na qual montagem e desmontagem tornam-se parte da linguagem, aproximando o público dos procedimentos construtivos do artista.

 

Serviço:
Exposição Riscadura de Fogo – Jorge dos Anjos
Abertura: 17 de março de 2026
Período expositivo: de 17 de março a 02 de agosto de 2026
Sesc Pompeia – R. Clélia, 93 – Água Branca
Entrada gratuita
Horários:
De terça à sábado: das 10h às 21h
Domingos e feriados: das 10h às 18h

 

Contato:
Sesc Pompeia
https://www.sescsp.org.br/unidades/pompeia/

 


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