Como uma reforma de apartamento pequeno pode reorganizar não apenas a planta, mas a identidade de quem habita — e por quê esse projeto em Perdizes merece atenção.

 

Reforma de apartamento com afeto e reaproveitamento material

Studio Monfré Arquitetura assina a reforma integral de um apartamento de 70 m² em Perdizes, São Paulo, conciliando reestruturação funcional, reaproveitamento de revestimentos e uma estética retrô carregada de referências pessoais da moradora.


Um endereço carregado de sentido

Um imóvel dos anos 1990, de 70m², foi submetido a uma reforma integral que reconcilia história pessoal, funcionalidade e uma estética retrô vibrante. O ponto de partida do projeto não foi apenas técnico — foi emocional. A cliente, uma jovem de aproximadamente 32 anos em novo momento de vida, escolheu um apartamento no bairro de Perdizes, na capital paulista, por razões que iam além da localização.

Reforma de apartamento pequeno / Fotografia MonicaAssan

O edifício havia abrigado parte de sua infância, e retornar a ele representava uma reconexão com memórias afetivas que conferiam ainda mais significado ao recomeço. A partir daí, as arquitetas Thaís Monfré e Ana Maia, do Studio Monfré Arquitetura — cujo trabalho a cliente havia descoberto pelo Instagram —, desenvolveram um projeto que traduziria personalidade, história e cotidiano em espaço construído.

Reestruturação total de planta compartimentada

O imóvel, com mais de três décadas de uso e planta originalmente compartimentada, demandou uma reforma de grande escala. A reestruturação abrangeu desde a revisão completa das instalações elétricas, hidráulicas e de climatização até intervenções significativas na setorização dos ambientes.

Reforma de apartamento pequeno / Fotografia MonicaAssan

Na área social, um dos dormitórios foi suprimido para ampliar a sala, enquanto o segundo foi integrado à suíte, possibilitando a implantação de um closet funcional adjacente ao banheiro. O novo layout respondeu diretamente aos hábitos e necessidades da moradora, sem concessões a convenções tipológicas pré-definidas.

Cozinha: soluções de projeto em que a estrutura impõe limites

A impossibilidade de demolir uma parede na cozinha foi contornada com criatividade projetual. A retirada da porta de serviço liberou área útil, e a adoção de um painel pegboard otimizou o aproveitamento vertical do espaço.

Reforma de apartamento pequeno / Fotografia MonicaAssan

A estética segue uma linguagem retrô, com pastilhas na rodabanca e vidros canelados, mas é a paleta cromática que concentra a carga afetiva do ambiente. O azul vibrante escolhido para revestir um móvel herdado da mãe — reformado com laca — remete diretamente à cozinha da avó materna, transformando um elemento de mobiliário em suporte de memória familiar.

Reaproveitamento de materiais como escolha projetual

Desde o início, a proposta incorporou ao projeto revestimentos provenientes de reformas anteriores. Os azulejos do banheiro da suíte, em tons de rosa e cinza, são resultado desse reaproveitamento consciente — uma decisão que não apenas otimizou recursos, mas reforçou vínculos emocionais com a história da moradora. O piso em porcelanato cinza foi adotado como base neutra, funcionando como contraponto visual às obras de arte pessoais e objetos coloridos distribuídos pelos ambientes.

Reforma de apartamento pequeno / Fotografia MonicaAssan

Área social: fluidez, trabalho e convivência integrados

A sala foi concebida como o centro organizador do apartamento, com ênfase na versatilidade. A moradora trabalha em regime de home office, mas optou por dispensar um cômodo fechado para essa função. A solução adotada foi uma bancada que opera simultaneamente como aparador e divisória entre zonas funcionais, acompanhada de armários de apoio e estante de serralheria para livros, discos e objetos pessoais. Um banco em cimento queimado pigmentado na cor rosa contorna parte da sala, cumprindo dupla função — assento suplementar para receber visitas e elemento de composição plástica marcante.

Mobiliário e objetos como narrativa pessoal

Nenhuma peça do apartamento está disposta por acaso. A escrivaninha de família, adaptada para suportar o toca-discos de vinil e a adega, exemplifica a lógica que permeia todo o projeto: ressignificar o existente sem apagar sua história. O tecido que reveste a parede da sala de jantar, espelhos e quadros foram garimpados em viagens, enquanto a mesinha de cabeceira do quarto é mais uma herança afetiva. O letreiro de neon com trecho de música favorita insere uma camada de subjetividade que afirma o caráter personalíssimo das escolhas.

Reforma de apartamento pequeno / Fotografia MonicaAssan

Suíte ampliada e banheiro com custo-benefício inteligente

A junção dos dois dormitórios resultou em uma suíte de proporções generosas, com cama queen, closet espaçoso e uma série de detalhes de acabamento que seguem a mesma lógica afetiva do restante do projeto. A parede na tonalidade rosa posicionada atrás da sapateira e os tijolinhos brancos com iluminação embutida — que substituem a cabeceira convencional — conferem ao ambiente um caráter singular. No banheiro, os azulejos reaproveitados foram equilibrados por revestimentos de base mais neutra e bancada em granito itaúnas, solução que alia boa performance estética a custo acessível.

Reforma de apartamento pequeno / Fotografia MonicaAssan

Quatro meses de projeto, cinco de obra

Com cronograma de quatro meses para o desenvolvimento do projeto e cinco meses de execução, o resultado é um apartamento construído em estreita colaboração entre escritório e cliente. Cada decisão — seja de ordem estética, funcional ou orçamentária — foi tomada de forma compartilhada, respeitando as memórias da moradora e traduzindo seu modo de habitar em cores, texturas e objetos carregados de sentido. Um trabalho em que a arquitetura não se impõe sobre a vida, mas a acolhe.

● Programa funcional como resposta ao modo de habitar

O projeto do Studio Monfré Arquitetura demonstra, em sua essência, uma qualidade que nem sempre é valorizada nos trabalhos de reforma residencial — a capacidade de subordinar o programa arquitetônico ao perfil real do usuário. A supressão de um dormitório em favor da ampliação da área social, e a recusa por um home office compartimentado em prol de uma bancada integrada à sala, revelam uma leitura precisa dos hábitos da moradora. Não se trata de soluções generosas, mas de decisões projetuais maduras, ancoradas no levantamento criterioso das necessidades do cliente.

● Reaproveitamento material como estratégia de projeto

Do ponto de vista da racionalidade construtiva, a incorporação de revestimentos oriundos de reformas anteriores merece destaque. Mais do que um gesto de sustentabilidade, trata-se de uma escolha metodológica que condiciona o partido estético desde o início — o projeto parte do material disponível, e não o contrário. Essa inversão de lógica, comum nas melhores práticas do design contemporâneo, resulta em ambientes com coerência plástica genuína, distante do repertório decorativo de prateleira.

● Afetividade como condicionante formal

A mobilização da memória afetiva como variável projetual — presente nas escolhas cromáticas, no reuso do mobiliário herdado e na ressignificação de objetos pessoais — aproxima o trabalho de uma abordagem fenomenológica do espaço doméstico. O lar resultante não é apenas funcional ou esteticamente coerente; é habitável no sentido mais pleno do termo, porque carrega a identidade de quem o ocupa. Essa é, talvez, a síntese mais precisa do que diferencia arquitetura de simples decoração.

 

Contato:
Studio Monfré Arquitetura
https://arqbrasil.com.br/25255/studio-monfre-arquitetura/

 


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