O Cais das Artes Vitória materializa o legado de Paulo Mendes da Rocha com uma arquitetura que une paisagem, estrutura e espaço público de forma inédita na orla capixaba

Síntese das soluções arquitetônicas, estruturais e urbanísticas do Cais das Artes, destacando sua pertinência contextual e legado moderno.
O Cais das Artes, localizado na Enseada do Suá, em Vitória, Espírito Santo, representa a concretização da última obra projetada por Paulo Mendes da Rocha a ser entregue ao público. Com projeto arquitetônico assinado pelo escritório Metro Arquitetos, o complexo cultural ocupa uma área construída de 30.000 m² e abriga um museu e um teatro, concebidos para receber eventos artísticos de grande escala.
Idealizado originalmente em 2007, o empreendimento inicia sua fase de ativação com a abertura parcial prevista para o final de janeiro de 2026, seguida pela inauguração do museu em março.

Integração urbana e paisagística na orla de Vitória
Implantado sobre uma extensa esplanada aterrada diante do canal que separa a ilha de Vitória do continente, o Cais das Artes estabelece uma relação direta com o entorno histórico, urbano e natural da capital capixaba. A proposta arquitetônica dialoga com a geografia local, marcada pela presença do porto, pela conformação da baía e pelas vistas emblemáticas — como a Vila Velha e o Convento da Penha, visíveis do outro lado do canal.
A intervenção orienta-se por uma leitura urbanística contemporânea que valoriza a memória do lugar e reforça o papel do espaço público como elo entre a cidade e seus habitantes.
Praça pública como núcleo de sociabilidade
O partido arquitetônico organiza-se a partir de uma ampla praça elevada, configurada como um passeio contínuo junto ao mar. Essa solução permite visuais desimpedidos da praça em direção à paisagem circundante, mantendo a permeabilidade visual e física entre o conjunto edificado e o entorno.
A praça incorpora usos complementares, como cafés, livrarias e áreas destinadas a espetáculos cênicos e exposições ao ar livre, reforçando seu caráter de espaço coletivo e multifuncional.

Estrutura e organização do edifício-museu
O museu é estruturado por duas grandes vigas paralelas em concreto armado protendido, elevadas a três metros do solo, apoiadas por apenas três pilares cada e distanciadas por 20 metros. Entre essas vigas, distribuem-se os salões expositivos em três níveis principais, iluminados por luz natural indireta proveniente de caixilhos inclinados.
Parte do programa funcional está concentrada em uma torre anexa, conectada ao corpo principal por passarelas metálicas, garantindo fluidez circulatória e autonomia programática.
Teatro elevado sobre o mar
O teatro, com capacidade para 1.300 espectadores, segue a mesma lógica de suspensão estrutural. Seu volume central abriga plateia, balcões, palco e coxias, enquanto as galerias laterais concentram circulações verticais, camarins e áreas técnicas. Assim como o museu, o edifício toca o solo apenas em pontos específicos — nas áreas técnicas sob o palco e no restaurante, este último voltado para um passeio coberto cujos pilares se implantam diretamente na água, reforçando a integração com o ambiente marítimo.
Herança afetiva e legado profissional
Para Gustavo Cedroni, sócio do Metro Arquitetos, o projeto transcende sua dimensão funcional e materializa a visão de mundo de Paulo Mendes da Rocha, que sempre defendeu o acesso público às frentes de mar. “Vitória foi a cidade onde ele nasceu e viveu a infância.
O Cais das Artes carrega uma forte dimensão afetiva, fruto de memórias que ele compartilhou conosco ao longo dos anos”, afirma. Martin Corullon, também sócio do escritório, destaca o impacto simbólico e urbano da obra.
“Trata-se de uma arquitetura que transforma a paisagem e atua na escala da cidade. Além disso, o projeto conclui simbolicamente uma parceria de quase trinta anos com Paulo Mendes da Rocha, sintetizando uma visão de arquitetura e de mundo que foi formadora para mim.”
#Estrutura suspensa e continuidade espacial
A elevação dos edifícios sobre pilotis mínimos responde com precisão à condição topográfica e simbólica do sítio, reforçando a permeabilidade visual e física entre a praça e a baía. Essa estratégia estrutural, herdada da tradição moderna brasileira, é atualizada com rigor técnico — notadamente nas vigas protendidas do museu — e articulada de forma coerente com o programa expositivo e cênico.
#Praça como dispositivo urbano
Mais do que um adereço paisagístico, a praça funciona como elemento ordenador do conjunto, integrando usos culturais, comerciais e de lazer em um único plano contínuo. Sua configuração horizontal e aberta ao mar reafirma o princípio de que as frentes d’água devem ser domínio coletivo, não privatizado, traduzindo uma ética urbanística clara em termos arquitetônicos.
#Luz natural e hierarquia funcional
A modulação dos caixilhos inclinados no museu demonstra atenção ao controle da iluminação indireta, essencial para a preservação das obras e para a qualidade da experiência expositiva. No teatro, a separação entre áreas técnicas laterais e volume central garante eficiência operacional sem comprometer a solenidade do espaço cênico, evidenciando uma hierarquia programática bem resolvida.
#Legado construído com pertinência contextual
O projeto dialoga com a geografia capixaba sem recorrer a estereótipos regionais, propondo, em vez disso, uma arquitetura de escala metropolitana, mas enraizada na memória local. A relação entre estrutura, paisagem e uso público revela maturidade projetual e coerência conceitual raras, especialmente em equipamentos culturais de grande porte.
Contato:
Metro Arquitetos Associados
https://arqbrasil.com.br/13182/metro-arquitetos-associados/

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