Casa com estrutura metálica redefine a ocupação de um lote estreito no Humaitá ao unir módulos em aço, ventilação cruzada e preservação da memória urbana

Residência vertical de quatro pavimentos utiliza estrutura metálica aparente para otimizar espaço, garantir conforto ambiental e preservar elementos da edificação original.
Projetada pelo escritório Fossati Arquitetura, a residência de 200 m² foi implantada em um terreno de somente 86 m², no bairro do Humaitá, no Rio de Janeiro.
Distribuída em quatro pavimentos, a casa de vila responde a um contexto urbano restritivo ao combinar eficiência estrutural, linguagem contemporânea e atenção às preexistências, como a preservação da varanda tombada da edificação anterior.

Estrutura metálica como estratégia construtiva
A opção pela estrutura metálica aparente orientou todo o partido arquitetônico. Construída em módulos de aço, a casa ganhou rapidez executiva, organização do canteiro e maior controle do processo construtivo em um lote estreito.
Com 3,7 toneladas de aço empregadas nos 200 m², o sistema permitiu vãos generosos com poucos apoios, liberando as plantas e favorecendo grandes esquadrias e ventilação cruzada.
Fachada leve e controle ambiental
A fachada é marcada por esquadrias de vidro transparente associadas a venezianas de cumaru. O conjunto filtra a luz natural, garante privacidade e contribui para a salubridade dos ambientes internos, reduzindo a dependência de sistemas artificiais.
A estrutura metálica visível dialoga com materiais como vidro, policarbonato e madeira, consolidando uma estética leve e funcional.

Memória e linguagem contemporânea no térreo
Logo na entrada, o projeto revela a convivência entre soluções contemporâneas e elementos afetivos. A parede de tijolos aparentes, reaproveitados da antiga casa, introduz memória e aquece a paleta neutra.
No térreo, sala, cozinha e jardim de inverno foram integrados para ampliar a sensação de espaço e estimular o convívio familiar. O piso de cimento queimado reforça a linguagem industrial adotada.

Escada como elemento escultórico
A circulação vertical é marcada por uma escada de serralheria acompanhada por uma parede de concreto moldado in loco. Mais do que função, o conjunto assume caráter escultórico e estabelece um eixo visual contínuo entre os pavimentos, evidenciando a relação entre estrutura e expressão arquitetônica.

Setorização clara nos pavimentos superiores
O segundo andar concentra os quartos dos filhos, enquanto o terceiro pavimento é dedicado integralmente à suíte master, com dormitório, closet e banheiro integrados em um ambiente amplo e bem iluminado.
Na área íntima, o piso de tacos de madeira em paginação espinha-de-peixe introduz acolhimento e remete às casas brasileiras tradicionais.

Cobertura voltada ao lazer
No último nível, a cobertura abriga os espaços de lazer da família. Churrasqueira, mesa de refeições, teto retrátil e piscina com borda de vidro conformam um ambiente aberto, conectado à paisagem urbana e pensado para uso cotidiano, sem perder a coerência com o restante do projeto.
Decoração autoral e mobiliário brasileiro
A decoração, assinada pela própria moradora, a designer Danielle Freitas, mescla peças novas e mobiliário reaproveitado da antiga residência. Poltrona Tetê, bancos Marcos e Mocho, de Sergio Rodrigues, e a estante Icon, de Jader Almeida, reforçam o caráter autoral do interior. As cadeiras Curva, originais dos anos 1960 e assinadas por Joaquim Tenreiro, completam a ambientação com identidade.
Aço aparente como linguagem e flexibilidade
Além da função estrutural, o aço assume papel estético e conceitual no projeto. Mantido aparente, ele se integra a materiais como gesso, vidro e tijolos reaproveitados, estabelecendo um diálogo direto entre engenharia e arquitetura.
Segundo o arquiteto Rodrigo Fossati, o módulo em aço funciona como métrica de flexibilidade, permitindo que a casa acompanhe as transformações da vida dos moradores e permaneça aberta a novos usos ao longo do tempo.
#Estratégia estrutural como geradora de arquitetura
O emprego da estrutura metálica aparente não se limita a uma decisão técnica, mas define o próprio raciocínio arquitetônico da casa. Ao adotar módulos de aço como sistema construtivo, o projeto responde com precisão às restrições do lote estreito e urbano, garantindo racionalidade, rapidez executiva e controle do canteiro.
Os vãos generosos, obtidos com poucos apoios, evidenciam uma compreensão madura da relação entre estrutura e espaço, liberando plantas flexíveis e favorecendo a continuidade visual e funcional entre os ambientes.
#Verticalização e organização programática
A distribuição do programa em quatro pavimentos revela um domínio claro da verticalização residencial em contexto de vila. A setorização é objetiva: áreas sociais no térreo, dormitórios intermediários e suíte master isolada no nível superior, culminando na cobertura de lazer.
Essa organização não somente otimiza a metragem reduzida, como estabelece hierarquias de uso e privacidade bem definidas, evitando conflitos funcionais comuns em casas compactas.
#Conforto ambiental e soluções passivas
O projeto demonstra atenção consistente ao desempenho ambiental. As grandes esquadrias associadas às venezianas de cumaru operam como dispositivos de controle solar e visual, permitindo iluminação natural abundante, ventilação cruzada e privacidade.
A redução da dependência de sistemas artificiais reforça uma abordagem sustentável baseada em soluções passivas, integradas desde a concepção formal até os detalhes construtivos.
#Materialidade, memória e linguagem
A combinação entre aço aparente, cimento queimado, vidro e tijolos reaproveitados constrói uma linguagem coerente, em que técnica e expressão caminham juntas. A preservação da varanda tombada e o uso de elementos da edificação anterior introduzem uma camada de memória que equilibra o discurso contemporâneo, evitando rupturas abruptas com o contexto histórico. O aço, ao permanecer visível, assume papel didático e estético, explicitando a lógica construtiva da casa.
#Interior como extensão do projeto arquitetônico
A integração entre arquitetura e interiores é reforçada pela escolha criteriosa do mobiliário brasileiro e pela mescla entre peças novas e reaproveitadas. Mais do que decoração, os elementos internos consolidam o caráter autoral do projeto e dialogam com a estrutura e os materiais.
Nesse sentido, a casa se apresenta como um organismo flexível, capaz de absorver o tempo, os usos e as transformações futuras, sem perder coerência espacial e construtiva.
Ficha:
Projeto arquitetônico: Fossati Arquitetura/ @fossatiarquitetura
Execução da obra: Fossati Arquitetura e Construção
Projeto estrutural em aço: Teto Engenharia
Estrutura metálica: Serralheria Brilho Branco/
Decoração: Danielle Freitas
Paisagismo – Raquel Vieira
Móveis – Arquivo Contemporâneo
Área construída: 200 m²
Volume de aço utilizado: 3,7 toneladas
Local: Humaitá, Rio de Janeiro
Fotografia Denilson Machado, @denilsonmachadomca
Contato:
Fossati Arquitetura
https://arqbrasil.com.br/53145/fossati/

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