Com o icônico “Mapa Invertido” e 500 obras inéditas, a exposição “Joaquín Torres García – 150 anos” evidencia a arte latino-americana no CCBB São Paulo, um mergulho no universalismo construtivo e na decolonialidade

Joaquín Torres García, (1874-1949)
150 anos de um legado decolonial no CCBB São Paulo
A partir de 10 de dezembro, o Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP) recebe a exposição “Joaquín Torres García – 150 anos”, uma mostra inédita no Brasil que celebra a trajetória de um dos principais nomes da arte moderna na América Latina.
Com entrada gratuita e em cartaz até 9 de março de 2026, a exposição reúne cerca de 500 itens, entre pinturas, manuscritos inéditos, maquetes, desenhos e os icônicos brinquedos de madeira produzidos pela família do artista uruguaio.
O universalismo construtivo e a pedagogia do Taller Torres García
A exposição aprofunda o conceito de “universalismo construtivo”, filosofia central na obra de Torres García, que defendia uma arte latino-americana autêntica, livre das influências europeias e norte-americanas.
A mostra explora a pedagogia do Taller Torres García, escola fundada pelo artista em Montevidéu, que incentivava os artistas a buscar suas raízes culturais e símbolos locais. Essa abordagem, revolucionária para a época, dialoga diretamente com a seleção de obras apresentadas, revelando um artista que pensou a arte como um ato de decolonialidade.

Reprodução da obra América Invertida, 1943 / Pachamama [Representação da Terra], 1944
O Mapa Invertido e a afirmação do Sul Global
Um dos destaques da exposição é o “Mapa Invertido” (1943), obra simbólica que expressa a ideia de “Nuestro norte es el sur” (“Nosso norte é o sul”). Ao inverter o mapa da América Latina, Torres García propôs uma revisão geopolítica e cultural, afirmando o continente como produtor de pensamento e não como mera extensão do Norte.
Para o curador Saulo di Tarso, a exposição atualiza esse gesto no século XXI, transformando o percurso expositivo em um espaço de reflexão sobre identidade e autonomia cultural.
Itinerância e colaborações internacionais
Concebida para o circuito dos Centros Culturais Banco do Brasil, a exposição inicia sua itinerância em São Paulo e segue para Brasília (março de 2026) e Belo Horizonte (julho de 2026). A mostra conta com empréstimos de instituições como o Museo Torres García (Uruguai), o Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, o Instituto de Arte Moderna de Valência, o Museu da Solidariedade Salvador Allende (Chile), além de coleções brasileiras como o MASP e a Pinacoteca de São Paulo.
Diálogos com a arte brasileira e o legado construtivo
A influência de Torres García na arte brasileira é evidente. Artistas como Anna Bella Geiger, Carlos Zílio, Rubens Gerchman, Montez Magno, Delson Uchôa, Marconi Moreira, Paulo Nenflídio e Mano Penalva dialogam com sua obra na exposição.
Além disso, a mostra estabelece conexões com a arquitetura e o design, destacando a relação de Lina Bo Bardi com a visualidade do artista, que inspirou sua síntese entre arte e construção. Obras de Arthur Bispo do Rosário, Alfredo Volpi, Cildo Meireles, Emmanuel Nassar, Hélio Oiticica e Estela Sokol também integram a seleção.
Um convite à reflexão sobre identidade e cultura
Para Cláudio Mattos, gerente geral do CCBB São Paulo, a exposição promove a valorização da arte latino-americana e a reflexão sobre o Sul Global, descentralizando narrativas hegemônicas. Fabrício Reis, diretor comercial da BB Asset, reforça o papel da cultura como ponte entre realidades distintas, destacando o compromisso da instituição em apoiar iniciativas que ampliam o acesso ao conhecimento.
Joaquín Torres García – 150 anos, para além de uma retrospectiva, é um ato decolonial, uma oportunidade de revisitar um legado que continua a inspirar gerações. A exposição fica em cartaz no CCBB São Paulo até 9 de março de 2026. Não perca!
Uma geometria com alma
A exposição sobre Joaquín Torres García no CCBB São Paulo propõe uma vivência sensorial e conceitual que explora o pensamento e a obra do artista a partir de uma expografia minimalista criada por Stella Tennenbaum, onde uma linha contínua conecta os diferentes espaços da mostra. No térreo, destaca-se o ícone América Invertida suspenso como móbile, simbolizando as origens e a arqueologia simbólica do continente.
Curadoria do não agir: a voz do artista
A curadoria assinada por Saulo di Tarso adota uma “curadoria do não agir”, dando voz direta ao próprio Torres García por meio de seus manuscritos inéditos, desenhos e publicações históricas.
São cerca de 90 volumes manuscritos do artista, além de documentos que revelam suas dimensões pedagógicas e sociais, como as publicações Cercle et Carré, Escola do Sul e La ciudad sin nombre.
Juguetes: a arte integrada à vida familiar
Os “Juguetes”, brinquedos de madeira feitos em família, ganham papel central, ilustrando a união entre arte e vida e um meio de sobrevivência em tempos difíceis. O público também verá maquetes e estudos ligados ao Monumento Cósmico (1938), que expressam a integração da geometria com símbolos da arte pré-colombiana, tema recorrente na obra do artista que buscava uma linguagem plástica universal.
Obras que unem natureza e metafísica
Além dos desenhos e pinturas influenciados pela arte pré-colombiana, a mostra apresenta obras fundamentais como Idea (1942) e Pachamama (1944), que sintetizam o imaginário universal de Torres García, combinando elementos naturais e metafísicos com materiais simples, como madeira pintada unida por pregos, evocando reflexões filosóficas.
Espaço de convivência e aprendizado
Mais do que um panorama histórico, a exposição é um espaço de convivência e aprendizagem, reunindo obras antigas, manuscritos, brinquedos e trabalhos de artistas contemporâneos para mostrar como a arte para Torres García era um elo entre o humano e o simbólico, o visível e o invisível. O curador destaca que “enquanto houver crianças brincando, o mundo se espiritualiza”, uma mensagem urgente para o presente.
A diversidade do “sul” como postura ética e poética
Cada cidade que recebe a mostra oferece um recorte específico: em São Paulo, destaca-se o diálogo entre geometria e simbolismo; em Brasília, a relação da arte com a cidade e o espaço público; em Belo Horizonte, a conexão com a arte popular e a cultura local. A exposição reforça que o “sul” transcende a geografia, sendo uma postura ética e poética diante do mundo.
Serviço:
Exposição: Joaquín Torres García – 150 anos
Local: CCBB São Paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
Data: 10 de dezembro de 2025 a 9 de março de 2026
Horário: das 9h às 20h, exceto às terças
Gratuito
https://ingressos.ccbb.com.br/exposicao-joaquin-torres-garcia-150-anos__3325
Contato:
Centro Cultural Banco do Brasil
(11) 4297-0600
https://ccbb.com.br/sao-paulo/

Referências — Exposição Joaquín Torres García CCBB São Paulo, Joaquín Torres García, Exposição CCBB São Paulo, América Invertida, Universalismo construtivo, Arte latino-americana, Taller Torres García, Mapa Invertido (1943), Arte moderna na América Latina, Decolonialidade na arte, Brinquedos de madeira de Torres García, Itinerância CCBB 2026, Arte construtivista, Lina Bo Bardi e Torres García, Anna Bella Geiger e Escola do Sul, Arte e identidade latino-americana, @sauloditarso_, @claudiomattosbrito, @museotorresgarciaoficial, @centroculturalbancodobrasil, @cymuseum, @stellatennenbaum, Imagens ©Museo Torres García, Agência Galo, @agenciagalo.
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