Reforma casa praia em Ubatuba demonstra como ampliar residência litorânea preservando ventilação natural, tipologia original e memória afetiva familiar por intervenção contemporânea

 

Reforma de Casa Praia Preserva Tipologia Litorânea em Ubatuba

Projeto de reforma e ampliação da Casa Félix, em Ubatuba, preserva volumetria original dos anos 1980 enquanto adiciona novos ambientes voltados para a serra. Intervenção do arquiteto Aki Dado mantém ventilação cruzada, telhados inclinados e esquadrias de madeira, criando sala central de convívio que articula as circulações e acomoda diferentes gerações sem comprometer a identidade arquitetônica vernacular.


Situada na Praia do Félix, em Ubatuba, litoral paulista, a Casa Félix representa um caso significativo de intervenção arquitetônica que concilia preservação patrimonial familiar e ampliação funcional.

Reforma casa praia / Fotografia Gal Oppido

O projeto de reforma, conduzido pelo arquiteto Aki Dado, atua sobre uma edificação dos anos 1980 originalmente concebida como residência de veraneio, mantendo suas características tipológicas essenciais enquanto responde às demandas de uma família multigeracional.

Contexto e Partido Arquitetônico

A edificação original segue a tipologia das casas de pescadores da região, com implantação que articula duas orientações distintas: a fachada voltada para o mar e os fundos direcionados à serra. A ocupação inicial previa três dormitórios na ala marítima, destinados aos adultos, e um dormitório coletivo voltado para a serra, utilizado pelas crianças.

Reforma casa praia / Fotografia Gal Oppido

Com o crescimento familiar e a incorporação de novas gerações, tornou-se necessária uma intervenção que ampliasse a capacidade de acomodação sem comprometer a identidade arquitetônica estabelecida.

Estratégia de Intervenção

O partido adotado estabeleceu como premissa a preservação integral do volume frontal, mantendo inalterados os três dormitórios do pavimento superior, a sala térrea, o terraço característico e a caixa d’água. A volumetria e a configuração da fachada marítima permaneceram sem alterações, assegurando a continuidade da leitura formal do conjunto.

Reforma casa praia / Fotografia Gal Oppido

Novos Volumes Abrigam Dormitórios

A ampliação concentrou-se na direção da serra, mediante adição de novos volumes que abrigam dormitórios e circulações verticais. O sistema de acessos foi reorganizado: a escada original foi mantida e ampliada para servir à ala infantil, enquanto uma nova escada conecta o volume destinado aos pais. Ambas as circulações convergem para a sala central, espaço de convívio que articula as diferentes alas e funciona como núcleo de integração familiar.

Linguagem Construtiva e Conforto Ambiental

A intervenção manteve fidelidade ao sistema construtivo original, preservando os telhados inclinados que caracterizam a arquitetura vernacular litorânea e favorecem a ventilação natural por efeito chaminé. As esquadrias de madeira opaca, sem vedação em vidro, foram mantidas como elemento distintivo da tipologia dos anos 1980, reforçando a permeabilidade entre interior e exterior.

Reforma casa praia / Fotografia Gal Oppido

A estrutura de madeira empregada em corredores e armários foi dimensionada para promover ventilação cruzada, contribuindo para o conforto térmico passivo. Os dormitórios e banheiros preservaram a escala modesta da edificação original, mantendo o caráter informal que define a atmosfera da residência.

Resultado da Intervenção

O projeto estabelece equilíbrio entre conservação e atualização funcional, resultando em uma residência que acomoda as necessidades contemporâneas sem romper com a memória afetiva e a identidade arquitetônica consolidada. A ampliação respeita a hierarquia volumétrica original, enquanto a sala central assume papel articulador, garantindo coesão espacial ao conjunto.

A Casa Félix demonstra como intervenções em edificações de valor afetivo podem ser conduzidas com rigor projetual, preservando características tipológicas, construtivas e ambientais enquanto incorporam novas demandas programáticas, assegurando a longevidade da edificação através das gerações.

 

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#Preservação Tipológica e Estratégia de Crescimento

A intervenção na Casa Félix evidencia uma abordagem projetual que reconhece o valor da preexistência como dado histórico e matriz geradora da expansão. A decisão de manter intacta a volumetria frontal e direcionar o crescimento para os fundos demonstra compreensão da hierarquia espacial estabelecida pela implantação original. Esse gesto preserva a relação entre edificação e paisagem marítima, mantendo legível a lógica fundadora do projeto.

#Territorialidades Dentro do Programa

A articulação entre os volumes novos e existentes mediante circulações verticais distintas revela sensibilidade no tratamento da conexão intergeracional. As duas escadas distribuem fluxos, além de estabelecem territorialidades específicas dentro do programa doméstico, permitindo autonomia e integração simultâneas.

#Sala Central como Dispositivo de Coesão

A criação do ambiente de convívio como núcleo articulador configura solução espacial que transcende a mera soma de áreas. Esse espaço opera como dispositivo de coesão, absorvendo as diferentes temporalidades de uso da residência e qualificando a permanência nos períodos de maior ocupação.

A posição estratégica desse ambiente, abraçado pelas circulações, potencializa a permeabilidade visual e funcional entre as alas, reforçando o caráter coletivo da ocupação.

#Continuidade da Linguagem Vernacular

A manutenção dos sistemas passivos de condicionamento térmico — ventilação cruzada, telhados inclinados, esquadrias sem vedação vítrea — representa compromisso com a adequação climática e com a identidade construtiva regional. Essa fidelidade aos princípios bioclimáticos da arquitetura litorânea dos anos 1980 não se configura como nostalgia, mas como reconhecimento da eficiência dessas estratégias em contexto tropical úmido.

#O Novo Não se Impõe Sobre o Existente

O projeto demonstra que ampliações residenciais podem ser conduzidas como operações de continuidade, onde o novo não se impõe sobre o existente, mas dialoga com suas premissas, resultando em arquitetura que absorve transformações programáticas sem comprometer sua essência espacial e ambiental.

 

Ficha:
Arquitetura – Aki Dado Arquitetura
Colaboradores – Cynthia Nigro Dado, Fabio Steiner
Engenharia de Obra – George Antic
Projeto de Estrutura – Ricardo Valente Neto
Projeto de Instalações Elétricas e Hidráulicas – LTP Engenharia
Projeto Luminotécnico – K2 Arquitetura / @k2_arquitetura
Paisagismo – Raul Pereira Arquitetos / @rpaa.paisagismo
Fotografia Gal Oppido / @galloppido

Contato:
Aki Dado Arquitetura
https://arqbrasil.com.br/49768/aki-dado/

 


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