Iniciativas miram o desenvolvimento urbano ordenado e a qualidade de vida da população fora dos grandes centros

Jaime Lerner além das metrópoles

Muito se engana quem pensa que uma “smart city” é uma cidade coberta por arranha céus modernos, carros futuristas flutuando pelas vias e trens-bala cortando os extremos urbanos. O conceito já é uma realidade no Brasil e em diversos lugares do mundo, alinhado ao desenvolvimento ordenado e sustentável.

As novas cidades inteligentes querem promover o encontro entre as pessoas, o conforto, a integração do homem com a natureza, a heterogeneidade social, a mobilidade, a tecnologia e a qualidade de vida da população. Morar perto do trabalho, ter opções de lazer e serviços sem precisar percorrer longas distâncias ou passar horas no trânsito.

No Brasil, recentemente, a cidade de Campinas foi eleita pelo ranking Connected Smart Cities 2019 como a cidade mais inteligente do país. A primeira vez que um município que não é uma capital lidera o ranking, reforçando que fora dos grandes centros urbanos há boas práticas de desenvolvimento acontecendo.

De acordo com o IESE Business School, da Espanha, que criou o estudo Cities Motion Index, existem alguns critérios que ajudam a caracterizar uma cidade inteligente. São eles: capital humano, economia, meio ambiente, mobilidade e transporte, planejamento urbano e tecnologia.

Um Masterplan que segue esses conceitos foi criado pela CSul Desenvolvimento Urbano na Lagoa dos Ingleses, município de Nova Lima, e já está se tornando realidade. Alinhado ao Plano Diretor da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e seguindo as melhores práticas do desenvolvimento urbano que existe no mundo, o projeto – criado pelo escritório do premiado arquiteto e urbanista Jaime Lerner – vem tomando corpo e alma.

Trata-se de uma nova centralidade urbana que inverte a atual lógica da cidade. O projeto, classificado como prioritário em 2017, ocupa uma área de 21 milhões de metros quadrados às margens da BR-040, uma das importantes vias de acesso à Belo Horizonte.

As “subcentralidades” propostas no Plano Diretor nascem da necessidade de descentralização da atividade comercial, de moradia e de lazer da região central da capital mineira, para que as pessoas possam ter mais qualidade de vida, com a possibilidade de morar e trabalhar na mesma região.

Norteada pelo novo urbanismo das smart cities e reunindo as melhores práticas adotadas no mundo dentro do tema, a CSul vem implantando este projeto pioneiro no Brasil. “Levamos em conta pontos como infraestrutura de habitação, lazer, heterogeneidade social e oportunidades de trabalho, atrelados à sustentabilidade, inovação e mobilidade, criando uma atmosfera urbana que proporcione bem-estar para a população”, explica Maury Bastos, presidente da CSul.

O projeto da CSul engloba a abertura de um campus da PUC Minas na região, que irá abrigar cursos da área da saúde. Além disso, por meio de uma parceria com o Grupo EPO e a Locare, a CSul entregou o primeiro shopping do município, o Navegantes, que conta com lojas âncoras como Supermercado Super Nosso, Drogaria Araujo, Store e Americanas Express, além de complexo do Grupo Cineart com três salas de cinema de última geração, restaurantes renomados e outros serviços.

De 2013 a 2019, foram gerados cerca de R$ 402 milhões em negócios e projetos desenvolvidos ou futuros na região pela CSul. Só em 2019, a previsão é de que R$ 190 milhões de reais em negócios e empreendimentos voltados para a atração de empresas sejam movimentados. De acordo com Maury Bastos, já foram empregados pelos investidores, R$ 400 milhões de reais na aquisição de terrenos, estudos ambientais, projetos urbanísticos, infraestrutura, entre outros. Cerca de R$ 700 milhões ainda devem ser investidos nos próximos anos.

Sustentabilidade – Não há como falar em cidade inteligente sem investir em iniciativas sustentáveis e em prol do meio ambiente. Mas, esse ainda é um desafio das grandes cidades que já tem a maior parte do seu território urbanizado.

O Projeto CSul tem na sustentabilidade ambiental a condição essencial à implantação de empreendimentos imobiliários e comerciais na região da Lagoa dos Ingleses. Nesse sentido, por exemplo, está em andamento um estudo hidrogeológico pioneiro, que recebeu um investimento de R$ 10 milhões e permitirá um amplo conhecimento da condição hídrica subterrânea da região e que será disponibilizado ao governo do estado para ajudar na tomada de decisões futuro.

Outra ação importante é a preocupação com a área preservada: o projeto contempla um índice de área verde por habitante sete vezes maior que o de Belo Horizonte: entre 92 e 129 m² contra apenas 18m² da capital. Dos 21 milhões de metros quadrados de terreno, 64% será de área preservada.

O desenvolvimento da região está previsto para as próximas décadas, com estimativa de concentrar cerca de 100 mil moradores, no prazo de 50 anos. Um planejamento de longo prazo que amplia as oportunidades de futuro de milhares de pessoas na região metropolitana de uma das principais capitais do Brasil.

Contatos:
Jaime Lerner Arquitetos Associados
(41) 2141-0700
http://jaimelerner.com.br/pt/jaime-lerner-3/

CSul Desenvolvimento Urbano
(31) 3547-3911
http://www.csullagoadosingleses.com.br/